Recolha e análise da crítica e jornalismo sobre Artes Visuais na imprensa escrita em Portugal.

quinta-feira, março 09, 2006

Significativo

“Portugal leva 15 Galerias à ARCO”. Marcos Cruz.
Diário de Notícias, 2006/01/25.

Comentário:
Madrid é aquela cidade onde, quando chegamos, nos apercebemos que não estamos em Londres, Paris ou Berlim. Tomamos assim consciência dos nossos constrangimentos geográficos, do facto de, agora que deixámos de ser um povo navegador e sermos um povo rodador, estarmos espartilhados e afunilados no final de uma Península Ibérica demasiado longa. Dentro destes condicionalismos, temos de reconhecer que, quando chegamos a Madrid, geralmente, nos divertimos.

A Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madrid, vulgo ARCO, é o local onde a generalidade dos artistas portugueses, as galerias e o público, têm as suas incipientes experiências de internacionalização.

A filtragem da participação portuguesa nesta feira em 2006 alegra-nos, no sentido em que verificamos que não é só em Portugal que os circuitos se processam de forma eticamente obsoleta. Conforme este artigo refere, o proprietário da Galeria Pedro Oliveira, com o mesmo nome, integrou este ano o Comité Organizador da Feira. Nesse sentido terá sido ele próprio a seleccionar os seus pares que, conjuntamente com a Galeria Pedro Oliveira, participaram na ARCO e também, igualmente importante, a lista daquelas que, pretendendo participar, não o puderam fazer (lista que não foi divulgada).

Pode dizer-se, em defesa deste critério, que uma Feira deste género é organizada, em todas as actividades, pelos interesses económicos presentes no sector, filiados geralmente em associações, que portanto a escolha recairá num dos interessados. Por outro lado, Pedro Oliveira é já um veterano no sector. No entanto, não é necessariamente assim. As entidades económicas participantes, podem escolher instancias idóneas e equidistantes dos interesses em presença, uma espécie de júri arbitral, que façam se necessário uma selecção.

O galerista Pedro Oliveira foi assim obrigado, num acto de esquizofrenia (de chamar a uma empresa o seu próprio nome constitui já um prenúncio), a seleccionar para a ARCO a sua própria Galeria. Imaginemos que o Pedro Oliveira – Comissário considerava em consciência que a Galeria Pedro Oliveira não tinha condições para ser seleccionada, os problemas individuais de cisão que essa de-cisão não deixaria de lhe trazer.
Por outro lado a Galeria Pedro Oliveira e a cidade do Porto foram seleccionadas para a secção Cityscapes, pelo comissário Miguel Von Haffe Pérez. Terá sido também o Comité organizador do qual fazia parte Pedro Oliveira a escolher o comissário Pérez?

É uma situação desnecessária, de que o galerista não precisa e a directora da feira, Rosina Cruz, de saída, deveria evitar. As declarações desta última, referidas neste artigo dão aliás ideia da tradicional ignorância, insensibilidade e paternalismo dos responsável espanhóis, em relação aos assuntos portugueses.

Ela diz com benevolência e simpatia que num total de 270 galerias, as portuguesas são cerca de metade da Alemanha e dos EUA, o que “é significativo”, tanto mais que “a ARCO não faz favores a ninguém”. Era dispensável o elogio.
É “significativo” de quê? Significa que Madrid fica mais perto de Lisboa e do Porto do que Berlim e Nova Iorque, e de que a ARCO é mais importante para os portugueses do que para os americanos ou alemães? Parece ser mais um motivo para a directora ficar preocupada quanto à internacionalização da feira... Na realidade estavam lá, mesmo sem qualquer tipo de favor o triplo de galerias espanholas do que de qualquer dos dois outros países citados como termo de comparação. Estiveram mais galerias portuguesas do que italianas ou do Reino Unido. Significativo?

Continuação do comentário e do ARCO:

A continuação do ARCO foi auspiciosa. Dizem-no os títulos dos artigos de imprensa: “Portugal muito satisfeito com o Arco” (Jornal de Notícias, 2006/02/11), “Arco já não prescinde das galerias portuguesas” (JN, 2006/02/12), “Museu Rainha Sofia compra uma Vieira da Silva mas quer mais” (Público, 2006/02/11), “Euforias Ibéricas”, (Alexandre Pomar, Expresso 2006/02/18 - o Expresso também viajou este ano a convite da TourEspanha).

As vaidades portuguesas passeiam-se também. No primeiro artigo citado, “a passear sozinho, Jorge Coelho do PS. ‘Venho todos os anos. É quase religioso.’ Ricardo Salgado no artigo do público declara “não vim de compras”. No entanto foi apanhado pelo JN “numa galeria do Reino Unido a escolher obras para a sua colecção pessoal.” O Museu Rainha Sofia comprou generosamente a artistas portugueses, incluindo a obra Terre de Sienne de Maria Helena Vieira da Silva (primeira obra da artista na colecção do Museu), adquirida numa galeria de Madrid.

2 Comments:

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