Recolha e análise da crítica e jornalismo sobre Artes Visuais na imprensa escrita em Portugal.

Sexta-feira, Janeiro 20, 2006

Quem paga quanto?

"Um guia para passear por Lisboa a ver esculturas". Sobre roteiro da arte pública em Lisboa, editado pela Câmara Municipal de Lisboa. Isabel Salema.
Público. 2005/12/15


"O monumento a Camões foi pago por subscrição pública, com participação do Brasil e das ex-colónias, uma prática comum no século XIX, ao contrario do que actualmente acontece. 'Quase toda a arte pública hoje colocada na cidade é paga pela Câmara', diz Sílvia Câmara".

Pergunta:
Será coincidência?




"Procuro a transcendência caminhando". Entrevista com José Pedro Croft. Por Óscar Faria.
Público. 2005/12|/16

[JPC]:" As instituições que me apoiaram foram o Instituto Camões, a Fundação Luso- Americana, a Fundação Gulbenkian, a Caixa Geral de Depósitos, que pagou os seguros da obras, e o próprio Ministério da Cultura, embora em relação a este há uma coisa muito peculiar, que não sei como definir. [...] O Secretário de Estado, Mário Vieira de Carvalho, também achou que o projecto era do maior interesse e importância e pediu-me que o formalizasse para ele poder corresponder ao meu pedido, tendo mesmo achado que as verbas em causa, menos de dez por cento do orçamento total, eram adequadas tendo em conta as grandes dificuldades que o pais tem neste momento. A resposta veio ontem [22 de Novembro], estando eu, durante dois meses, sem qualquer resposta útil do ministério. No fundo, entre a apresentação formal do projecto e a resposta passaram seis meses. Se não tivesse conseguido autofinanciar-me tinha perdido dois anos de trabalho e uma oportunidade única de coordenar cinco museus para poderem receber a exposição"


Comentário:
Como já foi referido em nota anterior, continua a não se saber nesta extensa entrevista, em que os aspectos económicos são destacados e chamados para uma "caixa", qual foi o financiamento por parte do Ministério da Cultura ou das restantes entidades. O montante do mesmo foi anunciado depois, numa "resposta" do SEC, que infelizmente não constou dos recortes que uma empresa especializada nos envia. Os montantes eram de tal maneira altos que não os reproduzimos, receando que se trate de uma gralha.




"Arte com futuro?". Crónica de Óscar Faria.
Público.

"Há não muito tempo ainda se ouvia dizer que Portugal é um país de poetas. Existem contudo alguns sinais perante os quais esta afirmação, certamente fundamentada numa plêiade de autores que vão de D. Dinis a Joaquim Manuel Magalhães, começa a deixar de fazer sentido, dando lugar a outra: Portugal é um país de artistas plásticos. Basta olhar para uma série de iniciativas, exposições, prémios e inclusivamente uma feira, para se perceber o número crescente de nomes que surgem anualmente no contexto artístico nacional. E muitos deles quer com o aval de competentes júris, quer legitimados por prestigiosas instituições. Um exemplo das consequências da actual situação é o anúncio de página inteira publicado no suplemento Actual do semanário Expresso da passada semana. Nele, sob o título Arte com Futuro, inclui-se a fotografia da entrega do Grande Prémio Anteciparte 2005 Millenium bcp à vencedora, Joana da Conceição (na foto uma das telas do projecto Folia). Nessa imagem, a artista recebe das mãos do presidente do banco, Paulo Teixeira Pinto, aquilo que parece ser, à primeira vista, a reprodução, em grande escala, de um cheque no qual se observa, em fundo, a imagem da Estátua da Liberdade."


Comentário:
Saúda-se a boa disposição. Mas porque não aplica OF a ironia ao périplo brasileiro de JPC? Afinal dinheiro é dinheiro. Seja o cheque mais ou menos visível.




"Colecção Berardo fica em Portugal". Joana Gorjão Henriques.
Público. 2005/12/23


Sem comentários:
"O primeiro-ministro, José Sócrates, garantiu na quarta-feira ao empresário Joe Berardo que a sua colecção de arte moderna fica em Portugal, disse ontem ao Público o comentador."





"Colecção Berardo fica no CCB. Ministra e Carmona obrigados a ceder". Alexandra Carita.
Expresso. 2005/12/23.

"O Estado terá responsabilidades ao nível de cedência de espaço e de parte do orçamento de funcionamento, bem como ao nível da manutenção da Colecção', explicou a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, que, dois dias antes da reunião afirmava em entrevista ao Expresso que não cederia ao ultimato de Joe Berardo (ver Actual), 'De resto, o Estado já investiu muito dinheiro até hoje naquela colecção', continua. Desde 1999, data da assinatura do protocolo de guarda do espólio, foram gastos cerca de um milhão de euros com o acervo do empresário. [...] Os principais accionistas deverão ser o Estado, através do Ministério da Cultura, e a Câmara Municipal de Lisboa, que desde o início do processo negocial se disponibilizara para acolher o acervo. Mas a abertura a privados será essencial para o financiamento da nova estrutura museológica."


Comentário:
É o epílogo de um acordo anunciado, previsto aqui anteriormente, no comentário intitulado "Berardo Sim, Champalimaud não!" Não se sabe nada sobre os termos do acordo, aliás aparentemente anunciado antes de ser feito, no sentido em que se diz também que as minudências só serão conhecidas (se alguma vez o forem) a 15 de Fevereiro. O acordo foi difícil, apesar de ter sido facilitado, segundo Alexandre Pomar do Expresso, "pela mediação de Alexandre Melo, colaborador das duas partes" ("Nós no sistema", Expresso, 30/12/2005).
Na realidade, a posição do Comendador era leonina, visto que pretendia manter grande controle e garantir a disponibilidade da colecção. Até que ponto o conseguiu, está para ver. Como referia o Art Newspaper, aqui citado: "O Sr. Berardo diz que pretende emprestar obras da sua colecção a longo prazo, mas que não vende qualquer obra de arte porque tem uma 'família grande'."
Parece secundário que a Ministra de Cultura tenha ou não sido desautorizada pelo Primeiro Ministro (é lá com eles), mas são preocupantes as consequências para o erário público. A "abertura aos privados" deverá ser, como costume, simbólica. A serralvização, que se invoca como modelo, custa cara ao país, como podem confirmar os directores dos restantes museus.




"Arte com mandato para tomar conta da Assembleia". Paula Lobo
Diário de Notícias. 2006/01/11

"O 'espírito de Serralves', como lhe chamou Gomes de Pinho referindo-se à dinâmica e às alianças feitas pela fundação com privados, invadirá também a A.R."


Comentário:
Cuidado com as carteiras, senhores deputados!




"Se não fosse o Ministério da Cultura o Centro de Artes Visuais já tinha fechado".
Entrevista com Albano Silva Pereira (Director do Centro) por Álvaro Vieira.
Público. 2006/01/06


Sem comentários:
"Havia uma situação difícil, porque o orçamento de 500 mil euros anuais- 200 mil da câmara e 300 mil do Ministério da Cultura- era já manifestamente insuficiente para o desenvolvimento de todo o programa do CAV [...] No final do ano sou convocado pelo vereador da Cultura que me transmite que o montante o novo protocolo já não seria de 200 mil, mas de 60 mil euros. [Custa-me entrar aqui e ver no pátio a Long Journey, a escultura que foi representante oficial de Portugal numa Bienal de Veneza neste estado. Faltam-lhe 27 peças que foram caindo. Foi-se desmoronando, apesar das minhas chamadas de atenção, nada foi feito. Não me foi dada resposta alguma nem em relação à escultura do Pedro Cabrita Reis nem às condições de trabalho no CAV."





"Mecenas Espanhol patrocina 'O Olhar fauve' no Chiado". Paula Lobo
Diário de Notícias. 2006/01/13.


Sem comentários:
"Só com o apoio mecenático da Caja Duero é que o Museu do Chiado conseguiu trazer a Lisboa O Olhar Fauve, a exposição com obras de Matisse, Renoir Marquet ou Derain com que o Musée des Beaux-Arts de Bordeaux assinalou o centenário do fauvismo."