Recolha e análise da crítica e jornalismo sobre Artes Visuais na imprensa escrita em Portugal.

Sexta-feira, Janeiro 20, 2006

O Poder

"Políptico de Paula Rego em Serralves." Caixa: "A pintar Sampaio em Belém". Sobre o retrato de Jorge Sampaio por Paula Rego. César Avô.
Expresso. 2005/12/10.


Sem comentários:
"A obra ficará na Galeria dos Retratos do Museu da Presidência da República, ao lado dos retratos dos presidentes eleitos por sufrágio universal: Ramalho Eanes (por Luís Pinto-Coelho) e Mário Soares (por Júlio Pomar)."




"Fundação de Serralves 'ocupa' Parlamento com O Poder da Arte". Sérgio C. Andrade.
Público. 2006/01/03

"O Poder da Arte propõe-se, assim, criar 'um confronto inesperado e surpreendente entre as características arquitectónicas da AR e as obras de arte que nela serão instaladas', explica a Fundação de Serralves no comunicado de apresentação da exposição. 'Cada obra desafia, deste modo o reconhecimento dos lugares, assim como as expectativas acerca dos espaços de apresentação da arte nos nossos dias'."


Comentário:
Por detrás do interesse da arte pelo lugar da assembleia da República, esconde-se o seu servilismo e menorização perante o poder. "Eles assobiam, nós chegamos" parece ser o mote. Como disse a Secretaria-Geral do Parlamento,Adelina Sá Carvalho, "este não é apenas um momento cultural, é um momento político muito importante", [DN, 2006/01/11, sublinhado nosso]. Revela assim a quem pudesse ter dúvidas, que o segundo é mais significativo e atribui uma dignidade suplementar ao primeiro.
Esta iniciativa da Fundação de Serralves, que motivou um suplemento publicitário Especial- um catálogo- no Público, tendo também a intervenção de uma empresa de publicidade, vem afinal introduzir um pouco de "charme" na vida dos deputados, ao abrigo das propaladas dificuldades do momento presente e do desgaste da luta política, para o que contribuirá também a presença do chef do restaurante da Fundação de Serralves.
Num trocadilho óbvio, Poder da Arte ou Arte do Poder?



"Poder da Arte" - Entrevista a João Fernandes [director do Museu de Serralves].
Diário de Notícias. 2005/01/11.

DN- Este Poder da Arte tem, pelo menos, o grande poder de provocar mudanças nas rotinas da Assembleia...
JF- Sem dúvida. E o título concentra alguma ironia e provocação. Infelizmente, a arte não tem poder nenhum. Mas, ao mesmo tempo, confrontamo-nos com o paradoxo de ter poder suficiente para que um órgão de soberania convide um museu a exibir a colecção.

Pergunta:
Ter ou não poder, em que é que ficamos?