Recolha e análise da crítica e jornalismo sobre Artes Visuais na imprensa escrita em Portugal.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Tempo

"O ano foi de Paula Rego". Inquérito sobre a exposição mais importante de 2005. Inês Sampaio.
Correio da Manhã. 2005/12/31

Sem comentários:
[Nicolau Breyner]: "Foi um ano muito recheado de trabalho e andei sempre ocupado e sem tempo para nada. Não fui nem a exposições nem a espectáculos de dança ou outros."



"Presépios do mundo e do barroco português". Irina Melo.
Público. 2005/12/24.

Sem comentários:
"O mais antigo presépio barroco português que chegou à actualidade (a primeira referencia é de 1754, mas tudo indica que foi construído no início do século), está há quase 200 anos guardado e não se prevê que possa ser visto em breve pelo público."



"No Porto- Pinturas de Júlio Pomar no Cinema Batalha poderão ter sido danificadas". Natália Faria.
Público. 2006/01/04

"Dá ideia que rasparam demasiado as paredes, porque passaram a camada superficial dos frescos, deixando à vista os desenhos preparatórios, pelo menos em dois ou três sítios', disse ontem ao Público Alexandre Pomar. Ressalvando que só especialistas em restauro se poderão pronunciar sobre a dimensão dos danos, o filho do artista considerou 'anormal'que a pesquisa tenha sido feita no meio das pinturas, quando a prática é começar pelas bordas."

Comentário:
Isto passou-se ao tentar "recuperar" pinturas murais pintadas em 1946 e logo escondidas, na cidade do "espírito" Fundação de Serralves.




"Quadros do museu de Faro atribuído a Rembrandt são falsos".
Público. 2006/01/04

"A directora do Museu Municipal de Faro, Dália Paulo, disse à Lusa, por seu turno, que tanto o IPCR [Instituto Português de Conservação e Restauro] como o especialista em Rembrandt, Jaap van Der Veen, que trabalha no Museu de Amsterdão Het Rembbrandthius, concluíram que as peças 'são cópias com pouca qualidade' e 'mais recentes'."

Comentário:
Que azar! Logo quando Faro foi Capital da Cultura...

O Espaço Arquitectónico

"A ambiguidade em exposição". Sobre exposição dos finalistas da 6ªa edição do prémio EDP. Nuno Crespo
Público. 2005/12/31


Sem comentários:
"A questão do espaço arquitectónico e da sua natureza essencialmente ambígua e descaracterística talvez seja a nota dominante desta exposição. Nuns casos de um modo mais evidente que em outros, a certeza que a natureza e a visão das obras de arte é condicionada e mesmo alterada pelas condições da sua exibição é dominante."





"O espírito do lugar". Sobre exposição de Graça Morais no Centro de Artes de Sines.
Alexandre Pomar
Expresso. 2006/01/07


Sem comentários:
"Ao dizer o presidente da Câmara que 'este novo centro foi também pensado como uma obra de arte contemporânea', levanta-se uma pista para discutir a dimensão mais formal da arquitectura, as vias especializadas da sua mediatização e a respectiva habitabilidade."

Quem paga quanto?

"Um guia para passear por Lisboa a ver esculturas". Sobre roteiro da arte pública em Lisboa, editado pela Câmara Municipal de Lisboa. Isabel Salema.
Público. 2005/12/15


"O monumento a Camões foi pago por subscrição pública, com participação do Brasil e das ex-colónias, uma prática comum no século XIX, ao contrario do que actualmente acontece. 'Quase toda a arte pública hoje colocada na cidade é paga pela Câmara', diz Sílvia Câmara".

Pergunta:
Será coincidência?




"Procuro a transcendência caminhando". Entrevista com José Pedro Croft. Por Óscar Faria.
Público. 2005/12|/16

[JPC]:" As instituições que me apoiaram foram o Instituto Camões, a Fundação Luso- Americana, a Fundação Gulbenkian, a Caixa Geral de Depósitos, que pagou os seguros da obras, e o próprio Ministério da Cultura, embora em relação a este há uma coisa muito peculiar, que não sei como definir. [...] O Secretário de Estado, Mário Vieira de Carvalho, também achou que o projecto era do maior interesse e importância e pediu-me que o formalizasse para ele poder corresponder ao meu pedido, tendo mesmo achado que as verbas em causa, menos de dez por cento do orçamento total, eram adequadas tendo em conta as grandes dificuldades que o pais tem neste momento. A resposta veio ontem [22 de Novembro], estando eu, durante dois meses, sem qualquer resposta útil do ministério. No fundo, entre a apresentação formal do projecto e a resposta passaram seis meses. Se não tivesse conseguido autofinanciar-me tinha perdido dois anos de trabalho e uma oportunidade única de coordenar cinco museus para poderem receber a exposição"


Comentário:
Como já foi referido em nota anterior, continua a não se saber nesta extensa entrevista, em que os aspectos económicos são destacados e chamados para uma "caixa", qual foi o financiamento por parte do Ministério da Cultura ou das restantes entidades. O montante do mesmo foi anunciado depois, numa "resposta" do SEC, que infelizmente não constou dos recortes que uma empresa especializada nos envia. Os montantes eram de tal maneira altos que não os reproduzimos, receando que se trate de uma gralha.




"Arte com futuro?". Crónica de Óscar Faria.
Público.

"Há não muito tempo ainda se ouvia dizer que Portugal é um país de poetas. Existem contudo alguns sinais perante os quais esta afirmação, certamente fundamentada numa plêiade de autores que vão de D. Dinis a Joaquim Manuel Magalhães, começa a deixar de fazer sentido, dando lugar a outra: Portugal é um país de artistas plásticos. Basta olhar para uma série de iniciativas, exposições, prémios e inclusivamente uma feira, para se perceber o número crescente de nomes que surgem anualmente no contexto artístico nacional. E muitos deles quer com o aval de competentes júris, quer legitimados por prestigiosas instituições. Um exemplo das consequências da actual situação é o anúncio de página inteira publicado no suplemento Actual do semanário Expresso da passada semana. Nele, sob o título Arte com Futuro, inclui-se a fotografia da entrega do Grande Prémio Anteciparte 2005 Millenium bcp à vencedora, Joana da Conceição (na foto uma das telas do projecto Folia). Nessa imagem, a artista recebe das mãos do presidente do banco, Paulo Teixeira Pinto, aquilo que parece ser, à primeira vista, a reprodução, em grande escala, de um cheque no qual se observa, em fundo, a imagem da Estátua da Liberdade."


Comentário:
Saúda-se a boa disposição. Mas porque não aplica OF a ironia ao périplo brasileiro de JPC? Afinal dinheiro é dinheiro. Seja o cheque mais ou menos visível.




"Colecção Berardo fica em Portugal". Joana Gorjão Henriques.
Público. 2005/12/23


Sem comentários:
"O primeiro-ministro, José Sócrates, garantiu na quarta-feira ao empresário Joe Berardo que a sua colecção de arte moderna fica em Portugal, disse ontem ao Público o comentador."





"Colecção Berardo fica no CCB. Ministra e Carmona obrigados a ceder". Alexandra Carita.
Expresso. 2005/12/23.

"O Estado terá responsabilidades ao nível de cedência de espaço e de parte do orçamento de funcionamento, bem como ao nível da manutenção da Colecção', explicou a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, que, dois dias antes da reunião afirmava em entrevista ao Expresso que não cederia ao ultimato de Joe Berardo (ver Actual), 'De resto, o Estado já investiu muito dinheiro até hoje naquela colecção', continua. Desde 1999, data da assinatura do protocolo de guarda do espólio, foram gastos cerca de um milhão de euros com o acervo do empresário. [...] Os principais accionistas deverão ser o Estado, através do Ministério da Cultura, e a Câmara Municipal de Lisboa, que desde o início do processo negocial se disponibilizara para acolher o acervo. Mas a abertura a privados será essencial para o financiamento da nova estrutura museológica."


Comentário:
É o epílogo de um acordo anunciado, previsto aqui anteriormente, no comentário intitulado "Berardo Sim, Champalimaud não!" Não se sabe nada sobre os termos do acordo, aliás aparentemente anunciado antes de ser feito, no sentido em que se diz também que as minudências só serão conhecidas (se alguma vez o forem) a 15 de Fevereiro. O acordo foi difícil, apesar de ter sido facilitado, segundo Alexandre Pomar do Expresso, "pela mediação de Alexandre Melo, colaborador das duas partes" ("Nós no sistema", Expresso, 30/12/2005).
Na realidade, a posição do Comendador era leonina, visto que pretendia manter grande controle e garantir a disponibilidade da colecção. Até que ponto o conseguiu, está para ver. Como referia o Art Newspaper, aqui citado: "O Sr. Berardo diz que pretende emprestar obras da sua colecção a longo prazo, mas que não vende qualquer obra de arte porque tem uma 'família grande'."
Parece secundário que a Ministra de Cultura tenha ou não sido desautorizada pelo Primeiro Ministro (é lá com eles), mas são preocupantes as consequências para o erário público. A "abertura aos privados" deverá ser, como costume, simbólica. A serralvização, que se invoca como modelo, custa cara ao país, como podem confirmar os directores dos restantes museus.




"Arte com mandato para tomar conta da Assembleia". Paula Lobo
Diário de Notícias. 2006/01/11

"O 'espírito de Serralves', como lhe chamou Gomes de Pinho referindo-se à dinâmica e às alianças feitas pela fundação com privados, invadirá também a A.R."


Comentário:
Cuidado com as carteiras, senhores deputados!




"Se não fosse o Ministério da Cultura o Centro de Artes Visuais já tinha fechado".
Entrevista com Albano Silva Pereira (Director do Centro) por Álvaro Vieira.
Público. 2006/01/06


Sem comentários:
"Havia uma situação difícil, porque o orçamento de 500 mil euros anuais- 200 mil da câmara e 300 mil do Ministério da Cultura- era já manifestamente insuficiente para o desenvolvimento de todo o programa do CAV [...] No final do ano sou convocado pelo vereador da Cultura que me transmite que o montante o novo protocolo já não seria de 200 mil, mas de 60 mil euros. [Custa-me entrar aqui e ver no pátio a Long Journey, a escultura que foi representante oficial de Portugal numa Bienal de Veneza neste estado. Faltam-lhe 27 peças que foram caindo. Foi-se desmoronando, apesar das minhas chamadas de atenção, nada foi feito. Não me foi dada resposta alguma nem em relação à escultura do Pedro Cabrita Reis nem às condições de trabalho no CAV."





"Mecenas Espanhol patrocina 'O Olhar fauve' no Chiado". Paula Lobo
Diário de Notícias. 2006/01/13.


Sem comentários:
"Só com o apoio mecenático da Caja Duero é que o Museu do Chiado conseguiu trazer a Lisboa O Olhar Fauve, a exposição com obras de Matisse, Renoir Marquet ou Derain com que o Musée des Beaux-Arts de Bordeaux assinalou o centenário do fauvismo."

A Crítica

"Tenho uma postura critica perante os meus trabalhos".Sobre instalação de Carlos Bunga na Culturgest do Porto. Óscar Faria.
Público. 2005/12/10


Sem comentários:
[Carlos Bunga]: "Tenho uma postura critica perante os meus trabalhos. Ao mesmo tempo há um lado intuitivo. [...] O projecto que Carlos Bunga apresenta na Culturgest - Porto, comissariado pelo assessor para a arte contemporânea da instituição, Miguel Wandschneider, constitui um ponto de viragem no seu ainda breve percurso."



"Perdidos na casa." Quatro jovens artistas a concurso. Sobre exposição dos artistas contemplados pelo Prémio BES Revelação, no Museu de Serralves. Ana Ruivo.
Expresso. 2005/12/10.


Sem comentários:
"Na aridez sumptuosa da arquitectura da Casa de Serralves, sob a intenção de premiar artistas em início de carreira que se destaquem pelos seus processos de pesquisa e interrogação da fotografia enquanto meio de expressão artística, a reunião dos quatro nomeados é revelação desabrigada e discreta que dificilmente contorna o vazio imperativo das paredes ou desassossega mais que a evidência."




"A nova arte oficial". Luísa Soares de Oliveira.
Público. 2006/01/07


Sem comentários:
"Não há promoção da arte contemporânea portuguesa nem cá dentro nem lá fora, se ela não possuir os requisitos mínimos considerados 'vendáveis', por isso, o que daqui sai (ou o que cá entra) é tão igual, tão uniforme, tão bem educado, tão contemporâneo. [...] Houve sobretudo na Culturgest duas óptimas individuais: a retrospectiva de Xana e os novos trabalhos de Fátima Mendonça. Mas lá está: nem um, nem outra correspondem aos critérios que a nova arte oficial a si mesma se deu."

O Poder

"Políptico de Paula Rego em Serralves." Caixa: "A pintar Sampaio em Belém". Sobre o retrato de Jorge Sampaio por Paula Rego. César Avô.
Expresso. 2005/12/10.


Sem comentários:
"A obra ficará na Galeria dos Retratos do Museu da Presidência da República, ao lado dos retratos dos presidentes eleitos por sufrágio universal: Ramalho Eanes (por Luís Pinto-Coelho) e Mário Soares (por Júlio Pomar)."




"Fundação de Serralves 'ocupa' Parlamento com O Poder da Arte". Sérgio C. Andrade.
Público. 2006/01/03

"O Poder da Arte propõe-se, assim, criar 'um confronto inesperado e surpreendente entre as características arquitectónicas da AR e as obras de arte que nela serão instaladas', explica a Fundação de Serralves no comunicado de apresentação da exposição. 'Cada obra desafia, deste modo o reconhecimento dos lugares, assim como as expectativas acerca dos espaços de apresentação da arte nos nossos dias'."


Comentário:
Por detrás do interesse da arte pelo lugar da assembleia da República, esconde-se o seu servilismo e menorização perante o poder. "Eles assobiam, nós chegamos" parece ser o mote. Como disse a Secretaria-Geral do Parlamento,Adelina Sá Carvalho, "este não é apenas um momento cultural, é um momento político muito importante", [DN, 2006/01/11, sublinhado nosso]. Revela assim a quem pudesse ter dúvidas, que o segundo é mais significativo e atribui uma dignidade suplementar ao primeiro.
Esta iniciativa da Fundação de Serralves, que motivou um suplemento publicitário Especial- um catálogo- no Público, tendo também a intervenção de uma empresa de publicidade, vem afinal introduzir um pouco de "charme" na vida dos deputados, ao abrigo das propaladas dificuldades do momento presente e do desgaste da luta política, para o que contribuirá também a presença do chef do restaurante da Fundação de Serralves.
Num trocadilho óbvio, Poder da Arte ou Arte do Poder?



"Poder da Arte" - Entrevista a João Fernandes [director do Museu de Serralves].
Diário de Notícias. 2005/01/11.

DN- Este Poder da Arte tem, pelo menos, o grande poder de provocar mudanças nas rotinas da Assembleia...
JF- Sem dúvida. E o título concentra alguma ironia e provocação. Infelizmente, a arte não tem poder nenhum. Mas, ao mesmo tempo, confrontamo-nos com o paradoxo de ter poder suficiente para que um órgão de soberania convide um museu a exibir a colecção.

Pergunta:
Ter ou não poder, em que é que ficamos?

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Universos Pessoais

Julian Opie. "Quase Real". Sobre exposição de Julian Opie na Galeria Mário Sequeira, em Braga. Helena Osório.
Visão. 2005/12/08


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"[...] afinal não passam de deuses do quotidiano de Opie que cada vez mais e melhor explica o percurso e encontro com a obra de arte em legenda e texto."




"Obra-Palavra-Entendimento". Sobre exposição "Densidade Relativa", no CAM da Fundação Calouste Gulbenkian. José Luís Porfírio.
Expresso. 2005/12/10


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"Leonor Nazaré, comissária da exposição e autora do catálogo, vai, num texto 'cruzado por muitos outros, recheado de exemplos e de apropriações', interrogar-se sobre o papel da linguagem e sobre a sua função no enfrentamento dos espectadores com as obras, e continua, mais longe e mais fundo, a interrogar-se sobre a comunicação verbal de origem filosófica e científica, começando, como deve ser, pelos pré-socráticos, interrogando-se, depois, sobre a terminologia que a divulgação científica mais utiliza, isto sem esquecer os conceitos operatórios de base para um entendimento da actualidade. [...] A capacidade humana para interpretar (ou será, simplesmente, verbalizar?) é infinita; esta exposição funciona, mesmo assim, como uma provocação à palavra que quer ver e entender."




"As apresentações do rosto". Sobre três exposições de Miguel Navas. Celso Martins
Expresso. 2005/12/10


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"Entre a evidência e o simulacro, entre a observação e a memória, Miguel Navas faz um caminho gravitacional tão concêntrico como paciente. Um trabalho que progride para dentro dos seus próprios limites, e que, desse modo, elege a fidelidade como uma fórmula de libertação."




"A Madeira na pintura de Ilda David e na poesia de Tolentino Mendonça". Vanessa Rato
Público. 2005/12/28


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"Uma das características da galeria Porta 33 é permitir que sucessivos artistas façam residências de trabalho no Funchal. Naturalmente, os projectos desenvolvidos a partir dessas estadias vão buscar aspectos da vida da ilha, contribuindo para a sua fixação no imaginário contemporâneo."




"A Poética do Traço das gravuras do Atelier". Sobre exposição na Fundação Arpad Szenes / Vieira da Silva sobre o Atelier 17. Ana Dias Ferreira
Público. 2006/01/13


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"Símbolos da tauromaquia são também usados como metáforas da guerra espanhola, no jogo fatal entre touro e toureiro."




"Gritos de Silêncio". Sobre Instalação Vídeo de Ângelo Ferreira de Sousa na Galeria Plumba no Porto. Helena Osório
Visão. 2006/01/12.


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"Tudo começou com a questão da Avenida dos Aliados, onde estão a retirar a calçada', explica Ângelo Ferreira de Sousa. 'Uma amiga basca veio ao Porto e disse que no seu pais não podiam ter calçada, porque levantam as pedras para atirar à policia. Comecei a associar a calçada portuguesa a esta violência."