Recolha e análise da crítica e jornalismo sobre Artes Visuais na imprensa escrita em Portugal.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Idiolecto

“Incitação à aventura”. Sobre exposição de Álvaro Lapa na Galeria Fernando Santos em Lisboa. Óscar Faria.
Público- Mil Folhas. 2005/12/03.

“Em ‘A Alusão Rítmica’, texto que é incluído no catálogo da exposição, José Gil recorda que a pintura de Álvaro Lapa é um idiolecto, ou seja, ela constitui-se enquanto ‘enquanto’ escrita particular do seu autor, a sua marca pessoal ‘uma possível definição do idiolecto é ‘conjunto de hábitos linguísticos (fonológicos, léxicos, sintácticos e estilísticos) de uma pessoa relativamente à língua standard, quer dizer, a fala ou forma característica de falar de um indivíduo.’ O filósofo recorda-nos ainda: ‘O que se sabe menos é como ele constrói essa linguagem tão singular que ninguém ainda lhe descobriu o código, quer dizer, a sintaxe. Só ele a possui.”

Manuel de Brito

“Faleceu o galerista que durante quatro décadas caçou talentos”. Paula Lobo.
Público. 2005/11/30.

“Ainda que muitos lhe criticassem a ‘megalomania’ e a pouca abertura aos artistas emergentes nos últimos anos, realçando-lhe sobretudo a qualidade de ‘bom gestor’, foi graças ao seu empenho que Júlio Pomar, António Dacosta, Palolo, Álvaro Lapa, Paula Rego, Graça Morais ou Eduardo Batarda se tornaram nomes maiores em Portugal.”


Comentário:

Está por fazer a história das galerias de arte e as suas relações com os artistas em Portugal no século XX. O que estão as Teses de Doutoramento a fazer?

Mau tempo

“Exposição de homenagem às vítimas do IP4 transferida devido ao mau tempo.” Agência Lusa. S.c.
Público. 2005/11/21.

“A exposição deveria ter sido colocada ontem de manhã na área de repouso do Alto de Espinho, na Serra do Marão, mas, segundo o presidente da AU IP4, Luís Bastos, o vento forte obrigou a cancelar a iniciativa. O responsável salientou que as fotografias vão estar patentes ao público no salão nobre dos bombeiros da Cruz Verde de Vila Real.”

Proximidade

“Entre o cinema e a pintura”. Sobre filme de João Mário Grilo sobre a obra de José de Guimarães. S.c.
Visão. 2005/11/24.


“Foi uma experiência engraçada. Nunca estive próximo da pintura do José de Guimarães, mas o filme é sobre a construção dessa proximidade. No fundo, conheci a obra dele através do meu filme’ afirma Grilo.”


”Maria Keil - A senhora sem importância”. CláudiaMoura.
Diário de Notícias – Magazine.

Comentário:

Difícil destacar uma parte do extenso artigo/reportagem, muito pessoal. É justo no entanto destacar, na globalidade, a sua qualidade e interesse.

Descontextualizar

“Dois caminhos para a arte em Coimbra”. Sobre exposição sobre a arquitectura de João Mendes Ribeiro no Centro de Artes Visuais de Coimbra. Paula Cardoso de Almeida.
Diário de Notícias.

“São oito obras e projectos de João Mendes Ribeiro, que foram reabilitadas e remodeladas para usos contemporâneos e, depois, foram fotografadas por Daniel Malhão e Edgar Martins. Uma exposição que é, sublinha o arquitecto, um apelo à ‘necessidade de continuar a desenvolver uma descontextualização da
arquitectura’, no sentido de ‘potencializar determinados meios artísticos’.”

Comentário:
Sobre a descontextualização da arquitectura e as suas relações com a fotografia, muito se poderia acrescentar.



“Esplendor da catástrofe. Três jovens artistas e a lembrança do terramoto”. Sobre exposição de Carlos Correia, Marta Moura e Romeu Gonçalves, na Galeria Luís Serpa. Celso Martins. S.c.
Expresso- Actual. 2005/11/19.

[Sobre Romeu Gonçalves]: “A atracção pelo invisível por trás da superfície junta-se assim à banalidade da violência e ao furor do impacto como aproximação possível ao organismo complexo que cada cidade constitui.”




“Uma americana em Itália. A história da célebre fotografia de Ruth Orkin.” Jorge Calado.
Expresso- Actual. 2005/11/19.

“Um fotógrafo não vê, apenas prevê.”



“Olhares estrangeiros’ sobre meio século português.” Maria João Caetano.
Diário de Notícias. 2005/12/01.

“[Cecil Beaton] enquanto aguardava a autorização para fotografar Salazar (o que nunca chegou a acontecer), foi fotografando a cidade e as suas figuras ‘incluindo Marcelo Caetano, então comissário-geral da Mocidade Portuguesa. ‘Com o cabelo brilhantinado e um perfil à Fred Astaire, Beaton viu-o como um belo figurino art déco, em fino contraste com uma estátua barroca’, conta Jorge Calado.”




“Criação e descoberta”. Arte e ciência entre outras deambulações artísticas em Coimbra.” Celso Martins.
Expresso. 2005/11/26.

“No Ano Internacional da Física e do centenário da Teoria da Relatividade, a Associação para o Desenvolvimento do Departamento de Física da Universidade de Coimbra e o Museu de Ciências e Tecnologias da cidade apresentam uma exposição que pretende pensar a arte contemporânea e a ciência. [...] Tomando o título à formula E=mc2 - Representações da Ciência na Arte Contemporânea reúne, sob o comissariado de Miguel Amado, um conjunto de 25 artistas cujos trabalhos se podem relacionar de modo diverso com o campo da actividade científica.”


Pergunta: “Sob o comissariado de Miguel Amado’, contextualizar a arte associando-a a conteúdos científicos ou descontextualizá-la dos seus conteúdos próprios, assimilando-a a pré-textos que lhe são espúrios?



“Animais, bichos e outras coisas. Os diferentes mundos de dois artistas”. Sobre exposições de Bárbara Assis Pacheco e Rui Carvalho. José Luís Porfírio.
Expresso- Actual. 2005/11/19.

Comentário:

Porque será que José Luís Porfírio quase sempre analisa dois artistas que têm exposições em simultâneo, estabelecendo pontes entre eles?
Será que a relativização que se estabelece o ajuda a aferir os contornos de cada projecto ou que o assusta o carácter único e absoluto da obra de cada artista, vista per se. De qualquer maneira constitui uma característica estilística na obra deste crítico.

Periferia

“Portugal abandona la periferia artística con ‘Del Zero al 2005’”. Sobre exposição na Fundação Marcelino Botin. F. Samaniego, Madrid.
El Pais. 27/11/2005.

”La exposición pretende desterrar la idea de Portugal como periferia artística”. El critico David Barro, profesor de arte contemporâneo en la Universidad de Oporto, propone como comisario de DEl Zero al 2005. Perspectivas del arte en Portugal mostrar el carácter internacional del arte português actual, dominado por el vídeo.”


Obrigado David Barro, Marcelino Botin; Graças a vós ficou plenamente demonstrando o "carácter internacional" da arte portuguesa, agora sentimo-nos realmente no centro.

Ainda a carne

Adriana Varejão - Memória em carne viva. Cláudia Almeida.
Visão – Sete. 2005/11/10.

Sem comentários.

“Ao olhar para cada obra esperamos sentir o cheiro de sangue e de carne em decomposição ou, no mínimo, o odor característico de um talho.”

Diferenças

“Exposição em Cascais vai mostrar trabalhos feitos por pessoas com deficiência mental e artistas”. Sobre iniciativa de Quinta Essência. Andreia Sanches.
Público. 2005/11/02.

Sem comentários.

“Foi a primeira vez que Cabrita Reis recebeu uma pessoa com deficiência no seu atelier, em Lisboa. ‘É um encontro com uma pessoa parecida comigo que vive num mundo diferente do meu’[...]”.




“Sentir a arte sem a ver”. Sobre exposição ‘Tocar e sentir’, na Biblioteca da Universidade de Aveiro. S.c.
Expresso- Economia. 2005/12/03.

“A exposição é explicada aos visitantes em braille, tendo o espaço sido expressamente preparado para a visita de invisuais, que poderão perceber a mensagem de cada quadro pelo tacto, num universo de telas produzidas com formas, texturas, óleo ou acrílico, cores, relevos e objectos. Mas o público que não é portador de deficiência visual também é convidado a ‘ver’ as obras de um modo diferente, sendo primeiro desafiado a sentir os quadros, de olhos vendados.”



“Quarteto fantástico”. Sobre exposição dos galardoados com o Prémio BES Revelação.
Visão. 2005/12/08.

“Todos os projectos são diferentes e todos são iguais, na convicção de que a fotografia é um meio, não a mensagem. Esta frase feita da modernidade é reiterada por Ramiro Guerreiro, Carlos Lobo, Sylvie Martel Rouquet e João Seguro ‘os vencedores do prémio BES Revelação, iniciativa conjunto do mecenas de fotografia Banco Espírito Santo e da Fundação de Serralves, que pretende contribuir para a divulgação de ‘ jovens artistas portugueses que recorrem de forma central, ainda que não exclusiva, ao meio da fotografia.”


Ver comentário sobre o BES Revelação no Arquivo, Posted 5.08.2005.

Polaroids

“Getty Museum investiga proveniência das suas peças de arte.” Rita Siza.
Público. 2005/11/03.

Sem comentários.

“A acusação das autoridades italianas foi desencadeada por uma busca a um armazém suíço, no qual foram descobertas centenas de peças, bem como mais de duas mil fotografias Polaroid de objectos cerâmicos e estátuas gregas e romanas pilhadas de túmulos com mais de dois mil anos. ‘Existem provas suficientes para falar de uma conspiração internacional. O tráfico ilegal parte de Itália para a Suíça e daí são feitas vendas para a maior parte dos museus americanos’ explicou o procurador italiano Paolo Ferri à Bloomberg.”

Números

“Serralves transformado em plataforma de ideias.” Sobre exposição de Thomas Hirschorh Anschool II. Marlena Neto.
Jornal de Notícias. 2005/11/04.

“45 mil é o número total de cópias de textos acerca de Tomas Hirschorn que serão distribuídos até ao final da exposição ( Janeiro de 2006). / 20 anos- Duas décadas de carreira do artista suíço serão apresentadas e reveladas em Anschool II, no Museu de Serralves. / 100 artistas ‘Thomas Hirschom está entre os 100 mais conhecidos e requisitados artistas em todo o mundo./ 2003- Ano em que o artista jurou nunca mais expor na sua terra natal enquanto o ultra-nacionalista Cristoph Blocher fosse Ministro da Justiça e da Polícia.”

Quais serão as fontes do ranking citado pela jornalista? Top one hundred for the arts? É a desportivização da vida nacional.



“A arte deve permanecer incontrolável, insubmissa.” Entrevista com Thomas Hirschorn.
Público. 2005/11/04.

Sem comentários.

“A ideia de escola [ansschool= não ? escola] termina com o título. Aquilo que me interessa é o lugar; como um museu, uma estação, um hospital, uma prisão: como uma escola. Quis criar um espaço num museu. Desse modo, tomei o exemplo da escola enquanto lugar onde as pessoas vão, mas não para aprender. Por exemplo, para podermos conduzir, devemos realizar uma prova teórica, que muitas vezes tem lugar numa escola; quando votamos, fazemo-lo muitas vezes numa escola. Vamos a esse lugar, não para aprender, mas para fazer uma outra coisa: para uma reunião política ou um encontro de moradores, por exemplo. [...] Não vamos a esse sítio para aprender ou para aquilo para que o espaço foi feito. É como ir a um museu: muitas vezes não o visitamos por causa de uma obra de arte. As coisas que se encontram nesse lugar, o mobiliário da escola, os mapas, os textos, estão lá, presentes mas não para mim.”




Quadro de Vieira da Silva vendido por 150 mil euros.Anónimo.
Público. 2005/10/28.

“Apesar deste quadro [ Le zoo] ser do período áureo da artista portuguesa, houve apenas uma oferta, tendo a obra sido imediatamente vendida. ‘Havia muita gente na sala na expectativa, que no fim se arrependeu ’ revelou José Serra [da firma Leiria & Nascimento].”

Ficamos a saber que Vieira teve um “período áureo”. Será o período, depois de ter falecido?



“Apesar da crise. Aproxima-se a Arte Lisboa com várias novas galerias? Alexandre Pomar. S.c.
Expresso. 2005/11/19.

“Com a grande visibilidade que confere às galerias, e espera-se duplicar a afluência para cerca de 20 mil visitantes, é uma oportunidade única para avaliar o estado geral do mercado e contactar com uma escolha significativa da arte que se vai fazendo. Sem esquecer que o mercado da arte conta com outros actores que são as instituições públicas, muito entrosadas com o jogo das promoções galerísticas e dos investimentos (a aliança entre a Fundação Elipse e o Museu do Chiado é só o caso mais gritante) e o chamado segundo mercado, onde actuam leiloeiros, galerias especializadas e ‘dealers’ com ou sem porta aberta.”



“Galeristas fazem balanço muito positivo da feira que fechou ontem”. S.c.
Público. 2005/11/29.

“Ontem a organização esperava atingir um total de 15 mil visitantes, um número que deixa a gestora da feira, Ivânia Gallo, ‘contente’, porque poderá significar, se se confirmar ao final da noite, ‘um aumento de 50 por cento ‘em relação ao ano passado, embora fique a baixo da meta dos 100 por cento.”



“Intercâmbio estimula galeristas e artistas. A 5ª Arte Lisboa espera ultrapassar o número de visitantes”. S.c.
Correio da Manhã. 2005/11/26.


“[Fernando Cordero, da galeria La Caja Negra de Madrid]: Na sua opinião, Portugal está a atravessar ‘um momento de criação artística muito importante e óptimo[...]’ . [Maria António Osório de Castro]: Com 70 anos, esta estudante de Pintura visitou a feira mais por curiosidade do que para comprar. ‘A oferta é tanta que, numa primeira abordagem é difícil escolher’, comentou.”


“Feira Chique”. Luísa Soares de Oliveira.
Público. 2005/11/26.

“Assim, talvez pela abundância de gravatas e casacos de vison, a feira parecia menos aquilo que é ‘uma feira, feita com um objectivo comercial imediato ‘e mais um conjunto de exposições colectivas de qualidade muito aceitável, como poderia acontecer, por exemplo, num Sábado de aberturas colectivas em Lisboa ou no Porto. A feira estava muito ‘limpa’, diziam uns, mais ‘clean’, comentavam outros, e a ocasião era tão boa para ver o que cada stand apresentava, como para saber as últimas novidades que cada individualidade trazia.”


Veneza- “Contas criativas.” Anónimo.
Art Newsparper. Dezembro de 2005.

Um press release final da Bienal de Veneza deste ano proclama com orgulho que 915,000 visitantes participaram no acontecimento durante os seus 154 dias, um retumbante sucesso (aparentemente). No entanto, se examinarmos os números mais atentamente, parece estar a ser praticada uma operação de contabilidade criativa; o total foi obtido mediante a adição de três números diferentes: 265.000 bilhetes para as exposições oficiais no Arsenale e nos Giardini, 370.000 visitantes registados na entrada dos vários pavilhões nacionais algures pela cidade, e mais 280.000 visitantes registados em “eventos colaterais”. É extremamente provável que os mesmos 265.000 que compraram bilhetes para os acontecimentos oficiais constituam o grosso dos que assistiram aos restantes. O verdadeiro total de espectadores desta bienal deverá estar portanto mais perto de 300.000. Registe-se que os casos anteriores de enchente foram 692.000 bilhetes vendidos para a bienal de 1976 e 431.742 para a edição de 1912.



“Artes Plásticas- Nas graças do mar.” Sobre exposição de Graça Morais no Centro de Artes de Sines. Sílvia Souto Cunha.
Visão. 2005/11/17.

Sem comentários.

“Quanto mais eu ofereço à pintura, mais ela me dá em troca”, afirma Graça.




“Quando a ilustração e a pintura se confundem. João Vaz de Carvalho ganhou a Ilustrarte 2005 e já tem editoras galegas interessadas.” S.c.
Diário de Notícias. 2005/11/27.

“João Vaz de Carvalho trabalhava como técnico num estúdio de gravação. Um dia, a jornalista Maria Elisa desafiou-o para ilustrar um artigo numa revista e a partir daí tudo mudou. De um dia para o outro deixou o emprego e decidiu ir para casa pintar, Já lá vão uns 20 anos. ‘Comecei muito tarde e sem formação académica. Mas não me sinto excluído. Tenho um público fiel na pintura que me tem seguido estes anos. Vivo disto desde então. Não há muitos que consigam fazer o mesmo.”



“José Pedro Croft expõe no Brasil”. Sobre exposição de Croft no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM) e outros. Óscar Faria.
Público. 2005/11/30.

“Apoiada financeiramente pelos ministérios da cultura de Portugal ‘através do acordo tripartido entre o Instituto das Artes, a Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) ‘ e do Brasil, através da Funarte, da Caixa Geral de Depósitos e do Instituto Camões, a exposição irá circular depois [...] , Com esta mostra, José Pedro Croft dá continuidade a uma série de individuais que o têm afirmado como um dos artistas essenciais do nosso tempo.”


Comentário:
Óscar Faria não fez o trabalho de casa, aceitou divulgar sem informar
quanto custou.

Centros

“Delfim Sardo demite-se do CCB em ruptura com a administração.” Isabel Salema e Vanessa Rato.
Público. 2005/11/04.

Sem comentários.

“[...]Ontem, nenhum dos elementos da actual administração esteve disponível para comentar a demissão. O presidente do conselho de administração, José Fraústo da Silva, encontrava-se em Macau durante 15 dias e a vogal com o pelouro financeiro, Isabel Trigo de Morais, não presta declarações.
Margarida Veiga, o terceiro elemento da administração, foi nomeada há um mês em substituição de Guta Moura Guedes, mas ainda não tomou posse e não quis comentar. ‘Lamento com toda a amizade e consideração profissional que tenho pelo Delfim Sardo, mas não sei o que se passa dentro do CCB. Tenho estado a delinear uma estratégia para o futuro, mas não posso avaliar uma situação que desconheço’, disse Veiga. [...] À frente do Centro desde 1996, Veiga demitiu-se em 2003[...]”.



“Pintura culinária. Assim...assim...assim...para Gostares mais de Mim, de Fátima Mendonça é mais um pedido sussurrado do que um nome de uma exposição consensual.” Luísa Soares de Oliveira.
Público. 2005/11/19.

“Fátima Mendonça, um dos nomes incontornáveis da pintura em Portugal desde a década de 90, inaugura uma merecidíssima exposição individual na Culturgest, ainda da responsabilidade da programação do anterior assessor artístico, António Pinto Ribeiro. Esta instituição, que conseguiu forjar nos últimos tempos uma identidade alternativa à dos circuitos mais institucionalizados em Portugal - Gulbenkian, Centro Cultural de Belém, Serralves e Museu do Chiado -, afigura-se como o lugar ideal para acolher estas pinturas e desenhos sem grandes paralelos na arte contemporânea portuguesa, e que mantêm uma notável coerência, quando encaradas na sequência das primeiras exposições desta artista.”

Só um comentário que tem a ver com o tempo: Com a instabilidade nos centros de arte, corre-se o risco de estar sempre a ver exposições do programador anterior. E cada programador programar o tempo do seguinte. Slow motion.



“O surrealismo português no olhar de Fernando Lemos. 117 fotografias em diálogo com outras obras, no Museu de Sintra até 30 de Abril.” Maria João Caetano.
Diário de Notícias. 2005/11/26.

Sem comentários.

“A Colecção Berardo vai continuar em Sintra, haja o que houver’, garante ao DN a directora do Museu de Arte Moderna de Sintra, Maria Nobre Franco. O protocolo de dez anos entre Joe Berardo e o Museu de Sintra termina em 2007, mas, de acordo com esta responsável, as negociações para a sua prorrogação estão já bastante avançadas. ‘Podem abrir outros museus noutras cidades ou até noutros países, mas este núcleo vai sempre continuar. A colecção Berardo é tão vasta, tão rica, que permite tudo isso.”



“França e Portugal competem para mostrar colecção de bilionário.” Daphné Détard e Gareth Harris.
The Art Newspaper. Dezembro de 2005.


Comentário:
Este artigo acrescenta apenas “nuances” àquilo que foi publicado na imprensa nacional durante o mês de Novembro. Por exemplo: Não consta a prioridade atribuída por Berardo a Portugal (referida pela imprensa portuguesa) nas negociações que estão a decorrer. A imprensa nacional não refere a hipótese de Miami que é aqui colocada como segunda opção. Curiosamente, Joe Berardo é aqui designado pelo nome português: José Berardo.
Interessante também que, depois de se referir que o empresário está farto da “excessive red tape” existente em Portugal o artigo refira, ao falar na hipótese da Ile Seguin, que foi anteriormente proposta ao Mr. Pinault: “Ironicamente, quando o Sr. Pinault anunciou a sua preferência pelo Palazzo Grassi em Veneza para mostrar a sua colecção, culpou o excesso de red tape em França pelo atraso. Ele disse: “Uma circunscrição local toma as suas decisões baseando-se em infinitas reuniões de comissões, que se podem arrastar durante anos... Outras cidades acolheram-me melhor e, desta forma, já não tenho paciência para persistir no meu plano de dotar a França de um Museu.”
O artigo do The Art Newspaper dá também uma indicação final acerca de um dos aspectos que poderá dificultar as negociações, seja onde for: “O Sr. Berardo diz que pretende emprestar obras da sua colecção a longo prazo mas que não vende [e presume-se que também não doará? Nota do OCA] qualquer obra de arte porque tem uma ‘família grande”.



Entrevista de Giovanna Massoni a Robert Storr, organizador da Bienal de Veneza de 2005
The Art Newspaper. Dezembro de 2005.

Sem comentários.

“TAN - Porque é que existem tantas Bienais?
RS - As causas são simples: existem factores diplomáticos, económicos, políticos e turísticos. Uma bienal é uma forma de dizer que a arte existe num determinado local e que este possui infra-estruturas capazes de receber visitantes que vêm de outros países. Uma promoção deste tipo não é necessariamente negativa: não é uma vergonha admitir que os factores estéticos ou culturais são determinantes nestas iniciativas [será gralha ?- Nota do OCA]. Os poderes em acção nos bastidores não deverão ser rejeitados nem automaticamente denunciados, mas é muito importante mantê-los sob controle e ter a certeza de que são canalizados de forma a beneficiar e não prejudicar a arte.”

Next

“Voilà tout. Who’s next?” Óscar Faria.
Público. 2005/10/29.


“[...] Nos últimos anos, o número de nomes revelados em exposições, feiras e prémios é impressionante. Alguns têm mesmo saído directamente da porta da escola para as salas de um museu ou de um outro espaço expositivo, de preferência uma galeria com estatuto no mercado. Por vezes, essa passagem é avaliada por competentes especialistas e júris encartados, que fazem incessantes pesquisas sempre à procura da ‘next big thing’.
A crítica, essa, confronta-se também com contingências várias, como a crescente falta de espaço nos órgãos de comunicação social ‘hoje, apenas Público e Expresso mantêm, com regularidade, páginas semanais dedicadas às artes visuais’ ou a sua progressiva transformação numa espécie de jornalismo cultural no qual a mera descrição das formas ganha terreno à análise dos conteúdos. A crise é evidente nesta área, também ela necessitada de mais espaço público, de textos menos dependentes das circunstâncias epocais, de exposições concebidas com outra vontade conceptual ”mostras nas quais se possa, de facto, chegar a ter matéria de discussão, algo que vá mais longe do que um mero somatório de obras ou nomes.”

Comentário:
Para quê um Observatório? A critica de arte autobserva-se e crítica-se com mais severidade do que alguém o poderia fazer. É a metacrítica de arte.



“Direcções múltiplas.” Sobre o Prémio Rotschild. Celso Martins.
Expresso. 2005-10-29.


Sem comentários.

“As escolhas feitas levam em conta esta dupla questão. Por um lado, da abstracção à figuração ‘hard-core’, passando pela tentação fotográfica ou pelo mimetismo do digital, tudo permanece válido (ou pelo menos validado). Por outro, a consciência de que a pintura voga num mundo mais alargado de imagens e possibilidades tecnológicas faz incluir trabalhos em fotografia e vídeo que podem participar dessa memória mais alargada da pintura, hoje na origem de inúmeras propostas. As escolhas passam, assim, pelo modo mais ou menos seguro, mais ou menos desafiante com que enfrentam ou reinventam essas tradições.”


“Da TV para a Tela. Dina Aguiar, um dos rostos da RTP, apresenta ‘Sentir dos Sentidos’, a sua mais recente exposição”.
Expresso - Única. 2005/11/12.

Sem comentários.


“Nunca consegui dissociar muito o lado jornalístico da pintura’, diz. Daí que tente, sempre, transpor para a tela imagens que o público entenda.
[...] Com ateliê nos Coruchéus em Alvalade (Lisboa) [...] Ao lado das telas e cavaletes, tem um trampolim no estúdio, onde já foi surpreendida a saltar, levada pelo entusiasmo da pintura”.



“Finalistas de 20 escolas de arte mostram e vendem o que valem”. Leonor Figueiredo.
Diário de Notícias. 2005/11/19.

“O objectivo do organizador é apostar nas novas gerações, em quem está a sair das faculdades. ‘O meio da arte em Portugal é fechado e os jovens artistas têm poucas oportunidades de continuar o seu trabalho. Eles merecem ter esta visibilidade porque é o reflexo do que de melhor se está a produzir.”


Comentário:

Esta iniciativa é interessante mas rodeia-se de circunstancialismos que a podem desvalorizar. Por um lado a constante referência ao ‘melhor’ é tendencialmente elitista, se não for mesmo pretensiosa. Foi feita uma escolha com os critérios subjectivos que só o júri conhecerá... e pronto. Por outro lado, o quadro de elementos que foi convidado para integrar os painéis de discussão que enquadram a iniciativa não é de todo ‘jovem’, em parte pertence até ao corpo docente das escolas de onde a maioria dos jovens vem. Esta iniciativa, longe de introduzir um elementos novo no panorama, vem afinal confirmar o que o seu organizador afirmou: “O mundo da arte é fechado”.




“Prémio Anteciparte 2005 para Joana Conceição”. Irina Melo.
Público. 2005/12/06.

Ver comentário anterior.

“Lourenço Egrejas, historiador de arte e membro do júri, disse ao Público que a escolha deve-se a um ‘trabalho que prima pela qualidade’. ‘Há ali uma evolução que o júri entendeu competente e também por [a Joana Conceição] ter produzido uma obra propositadamente para o Anteciparte [a instalação].”