Recolha e análise da crítica e jornalismo sobre Artes Visuais na imprensa escrita em Portugal.

quarta-feira, outubro 19, 2005

The Art Newspaper

Tem sempre um somatório de artigos saborosos. Da colheita de Outubro escolhemos dois:

"Magistrado espanhol fustiga a família de Picasso"

"Luxemburgo. Um procurador-geral espanhol junto do Tribunal Europeu de Justiça (ECJ) criticou severamente os herdeiros de Picasso por usarem o nome do artista como "uma mercadoria'."
"O excesso no uso [do nome de Picasso] para fins comerciais... pode comprometer o respeito devido à sua extraordinária personalidade. [...]"

"Furacão Katrina- Contabilizando os prejuízos culturais"

"No campo da recolha de fundos, o Contemporary Arts Museum em Houston lançou o Katrina Artist's Trust (KAT), um fundo gerador de subsídios destinados a fornecer apoio financeiro a artistas visuais de Louisiana, Mississippi e Alabama atingidos pela tempestade".

Erotismo

"Antropofagia e carne viva nos trabalhos de Adriana Varejão".V.R.
Público. 2005/10/13.

Sem comentários.


"Na verdade, no meu trabalho, a carne (exposta) refere-se a uma tradição da pintura, a toda uma linguagem de artistas que vem de Goya, do Rembrandt, do Chirico, do Francis Bacon. Estou a falar da história da pintura, mas quis dar à carne uma conotação erótica. Essa dimensão mais erótica liga-se ao facto de o erotismo ter tanto a ver com o prazer, como com a morte."

Mais barata

"Emergência criadora". Ana Vitória.
Jornal de Notícias. 2005/10/13.

Sem comentários.

"Esta é a representação mais barata de sempre na história das respresentações portuguesas em bienais internacionais" adiantou Cunha e Silva, lembrando que as anteriores embaixadas custaram dez vezes mais. [...] Cunha e Silva referiu que 'só há duas semanas chegou ao Instituto das Artes a resposta oficial do Ministério da Cultura (MC) relativamente à nomeação do arquitecto Pedro Bandeira' como representante oficial do nosso país."

Tradução

Arte Pobre. Anónimo.
Diário de Notícias. 2005/10/09.

Sem comentários.

"Está patente até 6 de Novembro, a exposição 'Arte Pobre'. Uma mostra que apresenta uma selecção de obras da colecção de artistas conceituados identificados com o movimento Arte Povera."

Veio à tona

"Pintura que se veste". Sobre exposição no Museu do Traje. Fátima Vieira.
Público- Pública. 2005/10/09.


Sem comentários.



"E os quimonos, como foi? O fascínio veio à tona durante umas férias em Honolulu, no final dos anos 70. Um dia entrou numa loja de artigos japoneses, viu um livro sobre o tema, pegou nele...e nunca mais o largou."

Berardo sim / Champalimaud não

"Berardo convidado a instalar a colecção em França."
Público. 2005/10/08.


"O empresário Joe Berardo diz ter sido convidado pelos ministros franceses da Cultura e dos Negócios Estrangeiros para implantar a sua colecção de arte moderna e contemporânea em França. Berardo já ameaçou levar a colecção para o estrangeiro- Miami, Estados Unidos - no caso de o Governo português não assegurar um espaço para a expor. No entanto mantém que a sua 'prioridade' é a permanência das obras em Portugal."
Realidade ou 'bluff', de qualquer maneira gratos pela preferência, Joe. Nós também te preferimos ao Pinault e ao Saatchi.



"Joe Berardo espera pela resposta do Governo até ao fim do ano". Óscar Faria.
Público. 2005/10/12.


"O comendador Joe Berardo estabeleceu o fim do ano como prazo limite para tomar uma decisão quanto ao destino a dar à sua colecção de arte moderna e contemporânea, hoje considerada uma das mais importantes do mundo."


O comendador não pára, o Público (saíu também artigo idêntico no Expresso) também não. "Quem não quer não quer" [...] "os franceses não podem estar eternamente à espera", são expressões do comendador também citadas, próprias de um modo específico de, como dizem os nossos político - desportivos, "estar na arte".
Ao contrário da resignação nacional que rodeou a exportação da colecção Champalimaud, acentua-se neste caso a pressão sobre o Governo.

Entretanto foi assinado um protocolo entre a Fundação de Serralves e a Associação Colecção Berardo, que prevê, segundo o presidente da primeira, "a possibilidade de algumas das obras pertencentes ao acervo reunido pelo comendador serem depositadas em Serralves."

Brilha

Teresa Magalhães brilha 'à volta'. Anónimo.
Correio da Manhã- Domingo Magazine. 2005/10/09.


"Teresa Magalhães pinta de forma espontânea, sem estudos anteriores. 'Nunca sei o que se vai passar- disse- mas é evidente que isso obriga-me a uma enorme atenção ao que faço, porque ao menor erro posso destruir todo o trabalho.'"

Fluocarbono

Painel chinês do século XII exposto pela primeira vez.
Público. 2005/10/07.


"A caixa onde está protegida está cheia de nitrogénio e fluocarbono para manter a temperatura estável."

Duas

"Escultura performativa de Fernanda Fragateiro estreada em Viseu." Maria Albuquerque.
Público. 2005/10/05.

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"'Caixa para guardar o vazio contém duas esculturas uma é um objecto de madeira, outra é um tapete preto. Além desta matéria, a obra é composta por uma vertente performativa' explicou a artista plástica, anteontem, em conferência de imprensa, no Teatro Viriato (produtor do projecto)."

Júri

"Vila Franca acolhe mostra sobre grandes exposições." Sobre exposições gerais de Artes Plásticas realizadas na Sociedade Nacional de Belas Artes de 1946 a 1956. Jorge Talixa.
Público - Local. 2005/10/04.

Sem comentários.

"A adesão não estava sujeita a júri, participavam muitos artistas jovens e a estas grandes exposições estava subjacente uma atitude de protesto contra o regime de então."

Fechamento

"Irão na Mãe de Água". Anónimo.
Diário de Notícias - Magazine. 2005/10/02.


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"É sempre com interesse que vemos manifestações culturais oriundas de países conhecidos pelo seu fechamento".

Muito satisfeita

"World Press Photo com Tsunami mas sem 11 de Março". Isabel Salema.
Público. 2005/09/30.


"Depois da guerra no Iraque na última edição, o tsunami na Ásia "foi o evento mais importante no ano passado", disse ontem Elsbeth Schouten, comissária da exposição de fotografia World Press Photo, que hoje abre no Centro Cultural de Belém. Mas o que deixou a comissária 'muito satisfeita' foi o facto de o autor da fotografia que venceu o concurso World Press Photo ser indiano, o fotógrafo Akko Datta, que fez imagens para a agência Reuters."


A WPP é um epígono daquilo que poderíamos chamar 'mediatic correctness'. Daí a 'alegria' da comissária por a exposição ter sido vencida por um fotógrafo indiano, como se tal facto não fosse intencional.

Nem tudo o que é 'politically correct' é 'mediatically correct'. Para tal é necessário que a imagem, neste caso vista como notícia, seja não só politicamente correcta como oportuna. Os movimentos políticos batem-se para estabelecer os paradigmas da 'political e mediatical correctness'. Poderá dizer-se da mediatic correctness o mesmo que se diz da democracia: que, como todos os seus defeitos, não existe sistema melhor. Mas é um argumento conservador.

No título do artigo está patente uma competição entre eventos visuais, cada um com a sua carga político-emocional. A comissária atribui a exclusão do 11 de Setembro a causas técnicas: "Não há uma razão especial para a exclusão. É uma escolha do júri e para ele a qualidade das fotografias de Madrid não era suficientemente boa." A guerra do Iraque é evidentemente representada por fotografias da prisão de Abu Ghraib.

A World Press Photo é uma organização independente criada na Holanda em 1955. Há anualmente 13 exposições iguais que circulam em cerca de 40 países.

O cão

"O Cão de Zardad volta a ser exposto". Anónimo.
Público. 2005/09/28.

Sem comentários.


"O vídeo O cão de Zardad, que no ano passado foi retirado da exposição do Prémio Turner, vai voltar a ser exposto na Tate Britain de Londres já a partir de 3 de Outubro. [...] A obra de 12 minutos parte do julgamento de Abdullah Shah, que servia Zardad torturando prisioneiros com os dentes antes de eles serem mortos."

Intimidades

"Ticiano escondido atrás de outra obra vai a leilão".
Público. 2005/09/22.

Sem comentários.

"'É uma tela de beleza singular', disse à agência Reuters o vice-presidente da Christie's, a leiloeira que a levará à praça em Dezembro. "Existe uma intimidade na relação entre mãe e filha' [...] A Christie's espera que a obra em leilão ultrapasse os 7,4 milhões de euros."




"Os afectos de Graça Morais". Agostinho Santos.
Jornal de Notícias. 2005/09/24.


"É aparentemente o romper de um novo ciclo deixando para trás provisoriamente) as mulheres rurais de Trás-os-Montes, optando por utilizar a imagem da própria artista e da mãe. A mudança verifica-se em "Visitações", a exposição de Graça Morais que se inaugura hoje na Galeria 111 no Porto. [...] No fundo, as representações traduzem momentos íntimos, serenos, nestas duas mulheres de gerações diferentes mas ligadas umbilicalmente."

Frescura

"O código da lebre". Sobre exposição de Jaime Lebre na Galeria Palmira Suso.
Diário de Notícias. 2005/09/21.


"Uma mostra de dez trabalhos sobre papel, onde o autor aborda diferentes géneros de pintura com frescura e originalidade."


É muito pouco comum o autor do artigo, neste caso um anónimo, exprimir um juízo de gosto.

Corte Inglês

"El Corte Inglês expõe colecção da Casa dos Patudos". Sobre a Exposição O Jardim das Hespérides na Sala de Âmbito Cultural do El Corte Inglês de Lisboa. Anabela Mendes.
Público. 2005/09/18.

Sem comentários.

"José António Falcão, director da Casa dos Patudos, diz que o investimento 'foi significativo' e que os cerca de três meses que demorou o restauro das obras teria levado à Câmara de Alpiarça, com os seus parcos recursos, entre cinco e dez anos."

Starck

"O one man show. Philippe Strack." Sobre conferência no Centro Cultural de Belém integrada na Experimenta Design.
Público. 2005/09/18.

Os designers e os arquitectos assumem ainda com mais naturalidade do que alguns artistas a condição de estrelas. Há quem diga que as artes visuais foram definitivamente corrompidas pela contaminação das artes do espectáculo na segunda metade do século XX (Michael Fried) e que daí advém o seu inegável declínio. A História da Arte foi substituída por um Star System, um Sistema Solar.
Philippe Starck carrega no próprio nome a condição de Star. -ck constitui uma terminação, um prolongamento, uma espécie de cauda como a dos antigos Cadillac.
Ele esteve entre nós e cumpriu a sua obrigação: como entertainer, entreteu.
Teve casa cheia no CCB: "à entrada do Grande Auditório existia quem se queixasse de que já não havia bilhetes". "Entrou aos saltinhos, acenando, consciente do impacte que causa, mas com a dose necessária de espontaneidade que conquista de imediato. [...] Depois andou para a frente e para trás, gesticulou, deu pontapés no objecto de design mesa, atendeu o telemóvel que tocara- 'deve ser a minha namorada'- e acordou um espectador supostamente a passar pelas brasas. [...] Ao longo da sessão há risos, inclusive sobre si próprio, fotos tiradas por telemóveis, 'sensação de vazio', como diria mais tarde um espectador que o interpela, mas também um sentido de encenação eficaz e um desassombro que interroga os limites das disciplinas e coloca em causa as certezas de quem ouve."