Recolha e análise da crítica e jornalismo sobre Artes Visuais na imprensa escrita em Portugal.

terça-feira, setembro 20, 2005

Emblematismo

Anónimo.
Jornal de Notícias. 2005/09/16.

"Trabalhos em aguarela e acrílico subordinada ao tema "Lisboa", Frederico Marques evoca alguns dos recantos emblemáticos da capital portuguesa."


Comentário:

Emblematismo... Do foro científico ou movimento artístico? Será uma forma de logotipismo?

Crítico

A precisão do pintor. Sobre Nikias Skapinakis, vencedor do Prémio Amadeo de Sousa Cardoso. Ricardo Duarte.
Jornal de Letras, Artes e Ideias. 2005/09/14.


"A crítica tem sido outra constante do seu percurso, apesar de não se considerar 'um teórico, investigador ou crítico de arte'. Limita-se, como diz, 'a extravasar algumas reflexões' cuja origem são 'os próprios problemas da pintura'".

Anamnese

"Arte Contemporânea em exposição na Internet." Sobre o site www.anamnese.pt, organizado por Miguel von Hafe Pérez. Joana Lopes Marques.
Público. 2005/09/12.

"O responsável pelo projecto justifica a delimitação temporal: "Considerei que durante a última década do sec. XX construiu-se um novo panorama das artes plásticas em Portugal, erigido por instituições como Serralves, a Culturgest, o Centro Português de Fotografia, e claro, a continua aposta do Centro Cultural de Belém. [...] Pedro Cabrita Reis não hesita em classificar Anamnese como "um combate ao mundo caótico da arte contemporânea em Portugal."


Comentário:

A visão de Von Hafe Pérez é o que se pode chamar "institucional". O panorama é "erigido" por instituições.

Mulheres

"Mulheres na Arte". "O paradoxo português". Vanessa Rato.
Público. 2005/09/11.

Um interessante estudo sobre as percentagens de mulheres e homens nas colecções dos Museus, algumas escolas de arte e prémios artísticos. As estatísticas apresentadas, relativas ao número de artistas do sexo masculino e feminino, foram obtidas junto do Observatório das Actividades Culturais, ligado ao ISCTE. As restantes estatísticas referentes à realidade nacional, que contaram com a colaboração das colecções e outras instituições, supõe-se terem resultado da investigação da jornalista, visto que não é referido qualquer trabalho académico ou outro.

A desigualdade numérica é realmente significativa, mesmo em decisões recentes, embora a autora reconheça que alguns dos nossos artistas com maior divulgação internacional são mulheres. Conclui-se também que situação internacional é idêntica. A interpretação é no entanto confusa.

Os artistas são profissionalmente beneficiados por serem do sexo masculino? Alexandre Melo, também ouvido, refere que "há muito mais raparigas que rapazes a abandonar a carreira artística imediatamente após a saída das escolas". Ruth Rosengarten fala de uma "culpa das mulheres de enfrentar a ambição de uma forma tão visceral como os homens". Haverá então auto - demissão em muitas mulheres- artista, discriminação negativa do meio, ou uma coisa e outra?

A autora do texto defenderá um sistema de quotas para as aquisições de obras de arte nas colecções? Parece ser esta a solução que se infere do depoimento de Isabel Carlos, ex- responsável pelas aquisições do Ex-Instituto de Arte Contemporânea: " Diz ter tido 'a preocupação de manter um equilíbrio entre homens e mulheres'." Pelo contrário Delfim Sardo, do CCB, defende uma programação ligada a "critérios de qualidade intrínseca" e "sem contas de quotas", reconhecendo embora haver um "machismo claro" na história da arte.
Existem também casos que deveriam ser referidos, como as iniciativas exclusivamente acessíveis a mulheres, por exemplo em Portugal o prémio dedicado à pintora Maluda, ou no estrangeiro a existência crescente de "women's museums".
O artigo é optimista, de um ponto de vista feminista, reconhecendo que a situação está em vias de se modificar. "Algumas [modificações] sentem-se já ao analisar o numero de mulheres a entrar para as colecções, por década."

VideoLisboa

Entre outros.
Expresso- Actual. 2005/09/10.

Comentário: Oportunidade para aferir a produção portugesa de Vídeo. 75 obras de 25 nacionalidades seleccionadas entre 1100 inscrições. Quatro portugueses admitidos: Sandro Aguilar, João Dias, Hugo Olim e Mónica Santos.

Crises

"Novas linguagens".A propósito de exposição na Galeria Módulo do Porto. Helena Osório.
Visão-Sete-Porto. 2005/09/08.

"A pintura, apesar de todas as crises por que tem passado, continua a ser uma linguagem de referência".

Comentário: Crises? Que crises?

Perfect Day

Um dia perfeito com Daniel Blaufuks no Museu do Chiado.Sobre instalação do artista no Museu do Chiado. Vanessa Rato.
Público. 2005/09/09.

"'É a questão do momento em suspenso' diz Blaufuks: 'Interessam-me aqueles momentos em que não sabemos o antes nem o depois, só o que está à vista'".


Comentário:

Só que esta "insustentável leveza" do momento é apresentada através de uma poderosa artilharia de referências e citações. Para além da sangria no parque, de Lou Reed, presente no título, remete para Georges Perec e Samuel Beckett. Aparente leveza e real profundidade, ou justamente o inverso?

Escritórios

"Para lá dos códigos". Filipa Ambrósio de Sousa.
Diário Económico. 2005/09/09.

"Paixão ou investimento, é possível que os escritórios de advogados venham assumir-se como as galerias de arte do futuro".

E porque não os actuais Museus de Arte Contemporânea constituirem os futuros tribunais?

Pretexto

"Príncipe pintor faz ponte entre Portugal e Arábia Saudita". Sobre exposição do príncipe Khalid-al-Faisal bin Abdul Aziz Al Saud em Sintra e um anunciado programa de intercâmbio entre 30 artistas portugueses e sauditas, providos pelo britânico Anthony Bailey. Alexandra Prado Coelho.
Público. 2005/09/08.


"A exposição é apenas um pretexto, explicou o britânico ao Público, na sua mansão de Sintra, até porque o príncipe assume-se como pintor amador e 'não expõe por razões de vaidade pessoal'".



"Notícias de esquecer". Crónica de Helena Matos.
Público. 2005/09/10.

"[...] Confesso aliás que tenho a maior curiosidade em saber quem serão os 30 artistas portugueses que se oferecerão como voluntários para tal experiência."



"Trinta artistas portugueses vão expor, no próximo ano, na Arábia Saudita". Joana Gorjão Henriques.
Público. 2005/09/10.

"Segundo o gabinete do ministério da Cultura, o ministério irá convidar artistas que representem várias áreas, correntes, faixas etárias, provenientes de vários pontos do país.[...] a ideia é que sejam profissionais e amadores (fotógrafos, escultores, pintores, homens e mulheres, mas as suas obras não podem ter nus."

O Melhor e o Pior

"Quadro de Turner votado como o melhor do Reino Unido".
Público. 2005/09/06.

"O quadro The Fighting Temeraire, do pintor britânico Joseph Turner (1775-1851), foi eleito o melhor quadro exposto num museu no Reino Unido, de uma lista que incluía 10 obras de outros pintores, como Van Gogh, Hogarth e David Hockney. A obra de Turner recebeu mais de um quarto dos votos (31.892, de um total de 118.877 votos) do escrutínio público organizado pelo programa de rádio 4 Today da BBC, em associação com a National Gallery."


"Um elefante que ninguém quer mencionar." Vanessa Rato, citando artigo da ensaísta Natasha Walters ( autora de On the move: Feminism for a New Generation) em The Guardian.
Público. 2005/09/11.

"É curioso que, apesar de nenhum trabalho de mulheres ter chegado à lista[acima referida] das melhores pinturas na Grã-Bretanha, dois - de Stella Vine e Paula Rego - tenham chegado à lista do The Guardian das piores, feita por críticos e artistas".

Particípio

Mais arte para Pedro e Inês em Alcobaça.Sobre exposição comemorativa dos 650 anos da morte de D.Inês de Castro em Alcobaça, comissariada por Alexandre Melo.Vanessa Rato.
Público. 2005/09/03.



"A mostra reúne trabalhos de cinco artistas portugueses, os consagrados Paula Rego e Julião Sarmento, e os mais jovens Adriana Molder, João Pedro Vale e Vasco Araújo. Reconhecidos como dos mais interessantes a surgir em anos recentes, estes últimos artistas apresentam trabalhos realizados expressamente para esta ocasião.[...]
João Pedro Vale, um dos raros artistas no panorama nacional a fazer referências directas ao imaginário gay, transpõe essa perda trágica para a história de Pedro e Inês e chama à sua obra Amores Perfeitos (2005)."


Comentário:

De salientar, na primeira frase citada as palavras "consagrados" e "reconhecidos" [como dos mais interessantes].Trata-se do uso do particípio que, segundo a gramática de Celso Cunha e Lindley Cintra "exprime fundamentalmente o estado resultante de uma acção acabada". Um facto consumado, que não será afectado pelo devir histórico.

Por outro lado as expressões permitem também uma indefinição quanto ao agente da consagração ou do reconhecimento. Uma sondagem da opinião pública, o inconsciente colectivo, os media, os comissários de museus de arte contemporânea, todos eles? Ou estes particípio caberá apenas a todos os que assim se exprimem desta forma indefinida mas categórica, remetendo para um anónimo consenso que exerceu a sua acção num ponto desconhecido do tempo, não aceitando revisionismos.

"Quando o particípio exprime apenas o estado, sem estabelecer nenhuma relação temporal, ele se confunde com o adjectivo", conforme esclarecem pacientemente os autores da mesma gramática. Trata-se portanto de linguagem 100% adjectiva, sob a capa de uma pretensa de objectividade.


Museu Paula Rego estará pronto em 2007. Anónimo.
Diário de Notícias. 2005/09/10.

Sem comentários.

"Paula Rego, de 69 anos, é considerada uma das artistas plásticas mais conceituadas da actualidade. Recorde-se que a sua exposição no Museu de Arte Contemporânea de Serralves no Porto, atraíu mais de 150 mil visitantes".

Arte Refém

"Um pintor do Magrebe". José Luís Porfírio.
Expresso. 2005/09/03.

"Prevista para o antigo matadouro municipal, agora transformado em espaço cultural, a mostra teve, à última hora, que emigrar para um espaço menos bem apetrechado, a Igreja da Misericórdia, contando ainda com uma pequena introdução- anúncio no Museu de Arqueologia. Tal situação ficou a dever-se a uma providência cautelar do CELAS (Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves) contra a Câmara Municipal que o subsidia, alegando que o espaço lhe estava prometido na totalidade. Assim sendo, as instalações do antigo matadouro estão seladas por decisão do poder judicial, deste modo se impedindo uma melhor visibilidade do artista do Magrebe. Maravilhas da nossa tolerância e dos nossos brandos costumes!" [...]

"Sem título, mas não sem tema, estas pinturas, que, é bom não esquecer, são de um escritor que desconhecemos, aparecem-nos como fragmentos de narrativa sem anedota, narrativa reduzida ao osso de uma vontade de exprimir neste magrebino de formação europeia que não esquece nem o seu país nem o seu continente."

Comentário: A troca de artista por escritor será um lapsus linguae?



"Irão Expõe Arte Ocidental Escondida há mais de 20 Anos".
Público. 2005/09/06.

"O Irão colocou pela primeira vez em exposição um acervo que os especialistas consideram ser a mais importante colecção de arte moderna fora da Europa e dos Estados Unidos, segundo a agência Reuters. [...] 'Penso que não quererão que eu continue como director do museu, e mesmo que o quisessem, eu não quereria", disse Samiazar [director do Museu de Arte Contemporânea de Teerão, promotor da exposição], referindo-se à recente mudança de Governo no Irão."


Sem título. Anónimo.
Expresso- Actual. 2005/09/10.

"O penúltimo dia da exposição - Classic of the new, no museu Kunsthaus, na cidade austríaca de Bregenz, foi escolhido por uma alemã para danificar seriamente a pintura "Nude in Mirror" do artista por Roy Lichenstein.
Quatro golpes desferidos com um canivete provocaram um grave estrago nesta obra, segurada em 4,8 milhões de euros. A autora deste crime arrisca-se a uma pena até cinco anos de prisão."


Bienal de Cerveira "reforçou parcerias". Entrevista ao organizador da Bienal. Henrique Silva.
Jornal de Notícias, 2005/09/07.

"Algumas intervenções de rua ainda conseguiram chocar a população concelhia, o que, ao fim de todos estes anos de Bienal, é, no mínimo,surpreendente", revelou.

Temas

"Fotografia para todos". Sobre o Salão de Fotografia do Algarve em Portimão.
Diário de Notícias-Magazine. 2005/09/04.

"Na zona ribeirinha de Portimão estão expostos 6424 trabalhos de 1771 fotógrafos de 58 países. Livre ( nu, retrato e viagem), fotojornalismo e natureza são os temas."

O Salão deu um contributo significativo para definitivamente arrumar o
problema do conteúdo em arte: Livre, fotojornalismo e natureza.

Exclusões

Escrever a arte. Sobre a edição de Thames & Hudson, Art since 1900, de Hal Foster, Yves-Alain Bois,Benjamin Buchloh e Rosalind Krauss.Crónica de José Mário Grilo.
Visão. 2005/09/01.

Citando o prefácio da referida obra:

"Evidentemente estas novas orientações trouxeram também novas omissões. Certos artistas e movimentos, respeitosamente mantidos em obras anteriores, foram aqui quase omitidos; cada leitor dará conta destas exclusões.[...]"


A crueldade das historia da arte consiste justamente em que o leitor dá sempre conta das inclusões mas muito raramente se apercebe das exclusões.Como na guerra, pobres dos vencidos...
Esta sobrestimação do leitor por parte de tão notável painel constitui um alijar responsabilidades históricas, ou eventualmente até um aliviar de complexos de culpa potenciais ou efectivos por parte dos autores.


"De maneira geral, se é que posso exprimir a minha opinião nesta delicada matéria, todos estes escritores medíocres, que o público toma por génios durante a vida deles, desaparecem depois da morte sem deixar vestígios na memória dos homens. Às vezes acontece que os esquecem em vida logo que uma geração vem substituir a que foi testemunha da sua obra. É como uma mudança de cenário. O caso é muito diferente quando se trata de Puskine, Gogol,Molière, Voltaire e de todos os autores que nos vieram dizer qualquer coisa de novo.

É certo que, no fim da sua carreira, esses escritores medíocres acabam por se esgotar, sem sequer darem por isso. Acontece muitas vezes que um autor, a quem toda a gente atribuía ideias extraordinárias e de quem se esperava profundas influências no espírito da época, termina por apresentar opiniões tão ocas que ninguém lastima ver perder-se tão rapidamente o seu talento.Estes velhotes, porém, não dão conta de nada e irritam-se. O seu orgulho aumenta de modo espantoso, sobretudo no fim da carreira literária. Supõem-se deuses, pelo menos."

Dostoievsky, "Os demónios", Ed. Arcádia, p. 77. Tradução de Reis Madeira.

Desmistificar

Arte- Arrematado! Sobre os leilões do Grupo Afinworld. Assinado: G.L.
Visão. 2005/09/01.

"[...] como explica o director de marketing João Miguel Mesquita. "A ideia é desmistificar os leilões. Desde que conheça as obras, qualquer pessoa pode participar."

Dúvida não esclarecida: Como se "conhece" as obras?

domingo, setembro 04, 2005

Tarde

Eurico Gonçalves - "É um prémio tardio!". Joana Lopes Marques.
Público. 2005/08/26.

"Já não esperava ser distinguido com este prémio. Já vem tarde de mais... lamenta, entre risos, Eurico Gonçalves, vencedor do Grande Prémio da XIII Bienal Internacional de Artes de Vila Nova de Cerveira."

Cronologia

Pablo Picasso homenageado com uma grande exposição. Anónimo.
Jornal de Notícias. 2005/08/23.

"Refira-se que, recentemente, uma decisão administrativa do país vizinho estipulou uma cronologia que atribui ao Museu do Prado o acolhimento de obras anteriores a Picasso, enquanto que ao Museu Rainha Sofia competirá mostrar obras posteriores a esta data."


Note-se que em Espanha o Estado não se demite de planificar a área de actuação historiográfica dos museus, ao contrário do que acontece entre nós em que tal é deixado ao voluntarismo e desejo de brilhar dos seus directores, por vezes independentemente das respectivas colecções.

Os Acidentes do Sucesso

"Um ano depois, o Museu Munch faz o luto por O Grito e A Madona". Sobre o roubo destas pinturas de Edvard Munch. Pierre-Henry Deshayes/AFP.
Público. 2005/08/22.

"Apesar de tudo, os visitantes têm acorrido ao museu: em Julho, a frequência subiu 20 por cento, relativamente ao mesmo mês do ano passado, quando os dois quadros roubados estavam ainda nas respectivas molduras."


Repare-se por um lado na irracionalidade do público. Vai ao museu porque desapareceram duas obras. A publicidade às obras é motivo para mais pessoas visitarem o Museu, mas fazem-no sem as poderem ver. A ausência das obras é mais forte como chamariz do que a sua presença anterior. Apesar de tudo se fizessem uma sondagem perguntando: Será que o Museu ficou mais interessante depois do roubo das obras, a maioria dos utentes responderia que não. A morbidez tem no entanto um grande papel. Será talvez possível ver o local em que as obras foram roubadas e tentar reconstituir o crime.

Este artigo, como a maioria dos que são oriundos das agências de informação internacionais, revela um tipo de jornalismo sobre arte mais investigativo e informativo, baseado em factos, raro em Portugal.



A arte autodestrutiva de Gustav Metzger. Óscar Faria.
Público. 2005/08/23.

Comentado.


"Há cerca de um ano, o nome de Gustav Metzger ganhou uma inesperada visibilidade quando uma empregada de limpeza da Tate Britain, em Londres, deitou fora um saco de lixo que integrava a instalação Nova Recriação da Primeira Demonstração Pública da Arte Autodestrutiva, cópia de um trabalho produzido pelo artista em 1960. Este facto despertou o interesse por uma obra que sempre habitou as margens da arte actual. Na Fundação Generali, em Viena de Áustria, a mostra retrospectiva História História, comissariada por Sabine Breitwieser, celebra esse autor, colocando-o definitivamente entre os nomes mais significativos da criação artística contemporânea."


O paralelismo com o texto anterior é flagrante. Muito deve o artista a esta empregada de limpeza. Este fenómeno justificaria, como em O amigo americano de Wim Wenders, a organização de falsos atentados às obras ou mesmo a simulação da morte do artista, no intuito de que a obra seja vista pelos media segundo uma outra luz.

Tal facto é relatado como normal e natural por Óscar Faria. Este assinala no entanto que, talvez motivada pelo incidente ocorrido na Tate Modern e que "despertou o interesse", mas acima dele existe agora esta exposição retrospectiva organizada pela Fundação Generali (uma companhia de seguros italiana) que "o coloca definitivamente entre os nomes mais significativos da criação artística contemporânea". Definitivamente!



Os nus que as crianças não devem ver. Ana Fragoso.
Público (Local). 2005/08/30.

"Excesso de pudor ou falta de sensibilidade artística? Uma destas razões levou a veradora do pelouro da Educação, em Mirandela, a censurar a exposição de dois quadros, nus no caso, da autoria da pintora transmontana Adelaide Monteiro Alves, duas telas que integram um trabalho intitulado No Feminino."


Comentário:
É compreensível, a vereadora Cândida Carvalho acho que No Feminino não era o mesmo que Nu Feminino.
O roubo dos Munch para o Museu e a limpeza da empregada para Metzger encontrou em Adelaide Monteiro Alves, correspondência na acção da vereadora. Não obteve ainda direito a uma retrospectiva na Fundação Generali, mas pelo menos saiu no Público embora no Local e, segundo o mesmo artigo, "a exposição completa vai regressar a Mirandela em Outubro, mas desta vez para ser exposta na biblioteca do hospital da cidade."

[...] For Dummies

"O mundo secreto de Paula Rego". José Couto Nogueira.
Jornal de Negócios. 2005/08/19.


A escrita sobre arte nos jornais económicos assume muitas vezes o papel que foi generalizado pela célebre colecção em língua inglesa "[..........] for dummies", na medida em que os potenciais investidores em arte são muitas vezes tratados como idiotas, como também acontece com frequência na literatura infantil.

Um falso pedagogismo e muitas vezes uma verdadeira ignorância levam os articulistas a escreverem peças que só podem causar repugnância pela arte em qualquer pessoa bem formada.

Este texto é um exemplo típico. Por um lado tenta "explicar" a obra de Rego: "Quando Paula Rego foi para Inglaterra levava na memória muitas histórias lhe tinham sido contadas por familiares num país ainda muito ruralizado e cheio de histórias fascinantes sobre o passado. Muitas delas eram histórias trágicas, que ela, a pouco e pouco, foi aplicando solidamente à sua pintura."

Por outro lado um piscar de olhos ao "sucesso" da pintora que justifica o magnífico investimento que pode representar: "Paula Rego goza do duplo e extraordinário estatuto de ser a nossa artista plástica com maior cotação internacional e a mais conhecida do público português."

Não contente com isto, Couto Nogueira mete-se a tentar resolver en passant, a propósito de Paula a questão do "fim da história da arte" (pobre Arthur C. Danto) e a querela entre o figurativo e o abstracto, em termos inimagináveis ("a história da arte não acabou [...], o figurativo sempre 'se aguentou' no século do abstracto"), enquanto vai deixando cair dislates acerca das colecções Champalimaud ("obras clássicas e tão 'certas' que nem apetece muito olhar para elas) e Saatchi & Saatchi ("o maior coleccionador privado britânico e quiçá mundial").

Sugerimos às nossas publicações económicas um conceito bastante revolucionário, visto que existe já a colecção "[......] for Dummies", que poderá estar até reservada por copyright, seja iniciada a publicação em separata nos jornais económicos de uma nova colecção: "Art by dummies".

Ou poderíamos também sugerir ao Casino Estoril que a par das suas tão celebradas exposições de Arte Naif, organize algumas pequenas edições de Crítica de Arte naive.



Rembrandt e Caravaggio juntos em Amsterdão.
Público. 2005/08/26.

"Os quadros serão muitas vezes apresentados aos pares (um de cada pintor], com Rembrandt e Caravaggio em diálogo."


As exposições são hoje uma espécie de Tese de Dissertação por parte dos comissários, que elaboram complexas associações de imagens, verdadeiras assemblage, de acordo com ideias preconcebidas que é possível descodificar nos textos de catálogo. Nem os enormes autores escapam. E a obra? Não merece ela ser vista por si só, contendo as relações que o autor lhe introduziu ou que o público com a sua cultura, acrescenta. Será preciso acrescentar contextos e ideias que condicionam e adulteram a leitura das obras? Serão hoje as exposições de grande audiência também, "art for dummies"?

Em Basileia

"Basileia acolhe obras surrealistas de Picasso".A propósito da exposição Picasso Surrealista 1924-1939 na Fundação Beyeler. Oscar Faria.
Público. 2005/08/17.

Comentário.

Em Basileia Oscar Faria entra na polémica surrealista e toma posição face às grandes polémicas do século XX. Seria Picasso um surrealista? Subitamente a ambiguidade estilística contemporânea desaparece e a questão do estilo começa a ser existencial: To be or not to be. Cruzam-se os argumentos pro e contra no artigo de Oscar Faria, Gérard de Cortanze, Jean Clair, Yves Dupleiss, Werner Spies, lidos na fonte ou apenas extraídos do catálogo da exposição.

Enfim, um artigo totalmente dissonante do que Oscar Faria nos vem habituando. Estará a construir um novo perfil crítico, a proceder a uma reconversão historiográfica, ou tratar-se-á apenas de turismo cultural,consequência da silly season. Esta hipótese parece confirmada pelo texto sobre a exposição de Lucian Freud no Museu Correr em Veneza (2005/08/27), um texto de divulgação absolutamente generalista.

Indiferenciação e Excelência

"Ecos políticos", artigo de Alexandre Pomar sobre exposições de Thomas Schütte e Moshe Kupfelman no Museu de Serralves.
Expresso. 2005/08/13.

Sem comentários.

[Sobre Schütte]
"[...] Mais do que propor outros paradigmas as obras põem em causa o fracasso das utopias artísticas através da miniaturização das figuras ou da aparência caricatural dos rostos (fotografados na série Inocentes) e, de um modo mais radical, da mobilidade da sua produção que, como também já foi apontado como elogio, anularia a viabilidade de critérios artísticos de distinção entre obras bem sucedidas e outras falhadas- como são certamente os seus Ditadores Sujos em cerâmica (2003) e as figuras grotescas que nos recebem no átrio do museu. Da redução dos meios da pintura à indiferenciação das formas o caminho é estreito."




"O quadro negro; pintar, entre programar e acontecer".Sobre exposição de José Loureiro no Centro Cultural Emmerico Nunes em Sines. Alexandre Pomar.
Expresso. 2005/08/20.

Sem comentários.

"O que é, como dizer, a excelência de uma pintura?"

Anti-Design

"Ceramista turca expõe pela primeira vez em Portugal". Vera Peneda.
Público.2005/08/12.

Sem comentários.


Citando o Director do Museu do Azulejo, onde se realiza a exposição:

"É um trabalho inspirado pela ideia do contentor", diz Paulo Henriques, Director do museu. "É simples, mas rigoroso e sensível. Contraria a ideia de design. [...] Ela explora a cerâmica como veículo poético que expressa uma relação íntima e silenciosa com as peças."

Parasitas

"Gravura é arte menor," artigo de Eduardo Pinto sobre a 3 ª Bienal Internacional de Gravura do Douro.
Jornal de Notícias. 2005/08/12.

Sem comentários.

Declarações do artista Nadir Afonso, de 85 anos, na inauguração:

"Gravura não é feita por um artista [...] é feita por um artífice."
"O artista lança, ainda farpas despudoradas aos críticos de arte do país que escrevem em algumas 'folhas de couve' e que classifica como 'parasitas', pois 'andam a escrever sobre arte sem nunca terem trabalhado as formas'. 'É por isso que qualquer bicho careta é artista'. [...] 'Os críticos é que não percebem nada disto. Ando a dizer isto há anos! Pois não há meio de entenderem isto' arremessa. [...] 'Um desgraçado que trabalhe mas que não ande metido com os críticos dos jornais não vai a lado nenhum."

Singular Lucidez

Fialho de Almeida, A Cidade do Vício, Livraria Clássica Editora, 1959, p.11.

Sem comentários.

"Não leio jornais, o que explica a singular lucidez que em mim refloresce a espaços."

Transcendem

M. Álvarez Bravo. Alexandre Pomar.
Expresso. 2005/08/06.

"Breton reclamou-o para o surrealismo, mas as suas fotografias, onde o maravilhoso e o oculto dos sonhos estão naturalmente presentes na aparente simplicidade do visível, transcendem todas as classificações, incluindo a de fotógrafo mexicano."


Comentário:

O culto da ambiguidade estilística e a aparente recusa das "gavetas" é uma característica da maior parte da crítica de arte contemporânea.



O Japão por perto. Sobre uma retrospectiva do fotógrafo japonês Shori Ueda em digressão por Espanha. Alexandre Pomar.
Expresso. 2005/08/27.

"A mostra intitulada 'Uma linha Subtil, Shori Ueda (1913-2003)' reúne 151 fotografias de 70 anos de trabalho (1929-1999), o que corresponde a uma carreira paralela à de Álvarez Bravo, tão idiossincrática e localmente universal como a do mexicano (embora um dos textos do catálogo, de Ilizawa Koôtaró, lhe aponte como característica a 'falta de nacionalidade").

Volta-se

Papéis impressos. Sobre exposição de gravura inglesa promovida pelo British Council na Culturgest do Porto. Alexandre Pomar.
Expresso. 2005/08/06.

Sem comentários.

"Volta-se uma vez mais aos anos 60. A década, se não é o começo de tudo, distanciando-se da memória das grandes guerras, é pelo menos o quadro persistente de referências e das contradições que ainda dominam o presente."

Emergentes

Cruzar a fotografia e a arquitectura. Sobre exposições no Centro de Artes Visuais de Coimbra. Paula Cardoso de Almeida.
Diário de Notícias. 2005/08/07.


"O Centro de Artes Visuais apresenta ainda, também até 16 de Outubro, a sexta edição do programa Project Room, que integra as esculturas T-Zero, de Nuno Sousa, e 1 Hour Later e Impossible Rectilinear Space, de Nuno Sousa Vieira. O programa, comissariado por Miguel Amado, pretende divulgar artistas emergentes no panorama nacional."


Comentário:

O conceito de artista "emergente" tem sido importante na crítica de arte e nas opções dos comissários contemporâneos. A metáfora é interessante: Um mundo aquático, submerso em que se movimentam os artistas e depois um mundo luminoso aéreo e celeste em que estão os emergentes, que acabam de vir à tona de água e que mostram as suas cores à luz do dia.
O que é interessante também é que os artistas são emergentes pelo facto de alguém, neste caso Miguel Amado, um comissário conhecido, ele próprio emerso, os ter pescado fazendo-os passar de um para o outro meio ambiental.
Utilizando esta metáfora da "pesca", será que este drama termina com a "morte do artista"? Ou pelo contrário se trata de uma "repescagem" que permite ao artista passar a viver nesse mundo luminoso que ele aparentemente partilha com o público.
A questão está em saber se o comissário efectivamente pesca e portanto atribui ao artista a qualidade de "emergente", ou pelo contrário limita-se a constatar que ele emergiu devido às suas características e à natureza da arte, e portanto torna patente e a comunica ao público essa "emergência artística".

Ticiano Vendido

"Quadro de Ticiano exposto na National Gallery vai a leilão".
Público. 2005/08/05.


"A obra Retrato de Um Jovem um quadro do pintor italiano renascientista Ticiano vai sair da National Gallery, em Londres, onde está exposto desde 1992, e ser vendida pela Christie's em leilão porque o museu não tem dinheiro para comprá-lo."


Comentário:

Esta notícia consola-nos perversamente do facto de terem saído de Portugal obras como o Caneletto da colecção Champalimaud. Não é só entre nós que tal acontece, com a agravante neste caso de se tratar de uma obra exposta na National Gallery, que portanto estava já no domínio público.
A principal diferença em relação ao que se passou em Portugal (ou ao que se deixou de passar) está na atitude da Direcção da National Gallery londrina. Desenvolveu todos os esforços para comprar a obra e, sem ter conseguido chegar à quantia pretendida pelo vendedor, queixa-se à BBC, segundo a mesma notícia das "dificuldades das instituições públicas" concluindo: "Será uma grande perda para o público". Contrastando com a geral indiferença das autoridades entre nós e até algum entusiasmo da comunicação social e gáudio na opinião pública e no jet set causado pelo "caso colecção Champalimaud" (patente na venda em leilão londrino das suas melhores peças).

Bruno Pacheco

"Lusa arte londrina. Foi em Londres que Bruno Pacheco descobriu o seu mapa do tesouro. É lá que estuda, vive e cria o pintor que arrecadou o prémio União Latina 2005." Rita Garcia.
Diário de Notícias, DNA. 2005/08/05.

Sem comentários.

"[...]No périplo bateu à porta do Goldsmith's College. Ali estava o que procurava: uma licenciatura em Artes Plásticas, muito mais abrangente que o curso de Pintura que o enfadava em Portugal. A avaliação, ficou a saber, era a parte menos importante do processo. Até porque os melhores alunos eram por norma contemplados com as piores classificações. Pagava esse preço pela coragem de ousar. [...] foi com a Pintura que o Bruno mais se identificou. Continua a ser assim. 'Exige menos burocracias na prática diária. Se fosse escultor tinha que pensar em mais coisas', explica. [...] 'a estética é um discurso falido'[...] Custa-lhe a explicar o significado dos próprios quadros. 'As coisas não se dizem, se não perdem o sentido.' Tem uma curiosidade egoísta pelas impressões que as suas obras provocam nas outras pessoas: é que as opiniões alheias ajudam-no a entender o que faz."

Relevante

"João Vaz (1859-1931)- Um pintor do naturalismo. O nosso marinhista." Cláudia Almeida.
Visão. 2005/08/04.

Sem comentários.

"[...]um dos pintores mais relevantes na pintura naturalista portuguesa".

Telemóvel

"Fotografias a partir de um telemóvel expostas em Oeiras". Assinado V.P.
Público. 2005/08/04.

"É uma exposição de fotografia pouco comum, mms-uma por dia mostra imagens que podem ser obtidas diariamente por qualquer pessoa que tenha um telemóvel com sistema mms (Multimedia Messaging)."


Comentário:

Vários autores têm criticado o "novo formalismo" que se tem generalizado com os chamados new media.
The media replaces de message, tornando-se de primordial importância o facto de "a coisa" ser feita de bosta de elefante (bem sei, em Ofili por razões étnicas) ou as imagens obtidas por esta ou aquela câmara. Como aconteceu nos recuados sessentas de Warhol com a polaroid, cria-se a ideia e a postura that anyone can do it, um vazio por detrás da câmara. Quando no fundo as fotos de Roberto Barbosa, individuais, um verdadeiro diário, provam justamente o contrário. Quando a imprensa pega no assunto pelo lado mms, não compreende que seria o mesmo se numa exposição de desenho se referisse sobretudo ao lápis.

Ainda Promiscuidades (Ver referências em Arquivo ao mesmo Tema)

"Arte, sistema e promiscuidades". Augusto M. Seabra.
Público. 2005/08/04.

"As minhas inquietações com o estreitíssimo sistema de gatekeeping que regula as artes plásticas entronca-se em duas coordenadas gerais, que me são fulcrais e suponho que bem patentes na intervenção pública: o estreitamento genérico do espaço público em Portugal, característica preocupante ao entendimento de uma sociedade liberal, com relativamente poucos ou pelo menos insuficientes sinais de renovação face à continuada repetição de um número restrito de emissores de opinião; uma reflexão fundamental em torno de modos de legitimação e da constituição de esferas de autonomia no campo da cultura, e das artes em particular. É particularmente evidente no caso das artes plásticas que os mecanismos de legitimação e gatekeeping são tão estreitos que limitam dramaticamente as possibilidades de afirmação autonómica."


Comentário:

As intervenções de Augusto M. Seabra, como as de António Cerveira Pinto, com outro tom e outra autoridade na matéria, têm constituído verdadeiras "pedradas no charco" no meio das artes plásticas, que só não têm mais efeitos porque um charco nunca deixa de o ser. Seria interessante reproduzir aqui este artigo na totalidade, todo ele é importante, mas circunscrevemos a citação à parte mais abrangente. Um reparo no entanto à intervenção de Augusto M. Seabra: A crítica de arte é apenas acessoriamente referida nas suas análises. No entanto, a par dos directores de museu, comissários, funcionários de grandes empresas ou fundações, ela desempenha um papel importante no "sistema" (expressão importada do futebolês). Para quando a sua análise sobre a crítica de arte em Portugal?

Nota: Este texto motivou uma resposta de Pedro Lapa, Director do Museu do Chiado e curador de um fundo de investimento do Banco Privado Portugês, a Ellipse Foundation, sediada em Amsterdam, directamente visado no texto, publicada pelo "Público".


"Praga com duas bienais". Michal Ruzicka Mafa.
Público. 2005/08/01.

Artigo sobretudo baseado em artigo do Art Newspaper. Giancarlo Politi e o seu padrinho de casamento, Milan Knizak, desavindos, organizam duas bienais de Verão concorrentes, em Praga. Fica a declaração do segundo, sem mais comentários:

"A primeira bienal foi feita em colaboração com a revista Flash Art.
Durante a Bienal de Praga de 2003, esta parceria revelou-se uma má escolha e, infelizmente, de pouca confiança. A National Gallery de Praga é uma instituição pública com uma tradição de muitos anos e as suas actividades têm de ser sempre transparentes e baseadas em contratos."


Nota do O.C.A.: Alem de apadrinhar casamentos, Politi sempre acumulou descontraidamente a sua actividade de editor da Flash Art com uma activa carreira curatorial.

Cunho Feminino / Salvo

"Ana Vidigal, o amor e a morte". Rocha de Sousa.
Jornal de Letras Artes e Ideias. 2005/08/03.

Sem comentários.

"[...] São trabalhos que têm muito um cunho feminino (no melhor sentido desta meio abandonada classificação). Apesar do seu entrelace de doçura e provocação, a inutilidade dos elementos iniciais, ganha, por uma metamorfose plástica, a clara utilidade dos objectos com que nos relacionamos, formadores do nosso habitat e da nossa sensibilidade cultural.[...]"




"Caninos amores". Sobre exposição e instalação de Ana Vidigal em Almada.Celso Martins.
Expresso. 2005/08/13.

Sem comentários.


"O trânsito e a indefinição entre a vida e a morte, o afecto que se humaniza num objecto inumano, a tentativa de prolongar num estado post mortem um vínculo e uma hierarquia afectiva (não por acaso, alguns destes bichos lembrar os famosos sarcófagos egípcios para animais) são alguns dos aspectos que, cruzados, produzem múltiplas leituras e salvam o trabalho da ironia fácil sobre os afectos dos outros o da simples morbidez."

Dentro

"Colectiva de três artistas". Sobre exposição na Galeria Pedro Serrenho.
Não assinado.
Jornal de Notícias. 2005/08/01.

"[Araci Tanan, Carla Pott e Pedro Zamith] artistas que desenvolvem o seu trabalho dentro da pesquisa da modernidade".


Trata-se de uma dupla utilização do que a gramática de Celso Cunha e Lindley Cintra denomina um adjunto adverbial de lugar onde. Desenvolvem o seu trabalho onde? Dentro da pesquisa e dentro da modernidade. Será que se poderia inverter para "desenvolvem o seu trabalho dentro da modernidade da pesquisa"... ou mesmo "a sua pesquisa dentro do trabalho da modernidade"? Outros desenvolvem-no certamente dentro da "pesquisa da antiguidade".


Entrevista a Miguel Rio Branco.
Público - Pública. 2005/08/14.

Sem comentários.

"Tenho muito mais interesse em ver museus de arte antiga do que de arte contemporânea. Essas imagens mais antigas me remetem a todo um histórico do ser humano onde se repetem as mesmas coisas, da sensualidade à morte."