Recolha e análise da crítica e jornalismo sobre Artes Visuais na imprensa escrita em Portugal.

sexta-feira, agosto 05, 2005

O momento decisivo

Entrevista a Joseph Koudelka a propósito de uma exposição deste fotógrafo da Magnum no Centro Cultural de Belém.
Diário de Notícias. 2005/07/28.

Pergunta: Que tipo de fotógrafo é? Espera até sentir que é o "momento decisivo"? O que o faz disparar?

        - Sabe que essa teoria do momento decisivo... basicamente, não estou interessado nas teorias. Dizem que o [Henri] Cartier-Bresson inventou o momento decisivo mas ele só formulou algo que existe. Newton formulou a Lei da Gravidade, que é uma coisa que sempre existiu! [risos] Mas Cartier-Bresson formulou-a muito bem e não há nada de mal nisso. Ele e eu fomos grandes amigos...[...] E tivemos grandes discussões, passámos o tempo a discordar!

Se olhar para uma das suas fotografias iniciais, que para mim são das melhores, vê que não foram feitas com lentes de 50mm. Todas aquelas imagens do México, creio eu, foram tiradas, no mínimo, com uma lente de 28mm. Ou seja, todas essas teorias sobre a fotografia não passam de absurdos..."

Nobreza

"26º Salão Internacional de Pintura Naif- Obra genuína".
Visão. 2005/07/28.

Sem comentários.

"É comum esta iniciativa anual despertar sentimentos de grande nobreza, já que a maioria dos participantes nunca sonhou poder ver expostas as suas obras.
Esse contentamento genuíno é contagiante."

Medicina subjectiva

"Entrevista a Manuel Valente Alves, médico e artista plástico".
Visão. 2005/07/28.

Sem comentários.

"Os doentes transmitem ao médico uma leitura dos sinais do corpo e ele interpreta essa leitura. O começo da relação é um cruzar de subjectividades, que o médico vai, depois, tentar objectivar através de exames. A medicina é esse cruzar permanente de dados subjectivos e objectivos. Tem uma componente técnica, mas é sobretudo uma arte".

Terramoto

Exposição dos 250 anos do terramoto de 1755 adiada para
Novembro. Fernanda Ribeiro.
Público. 28/07/28.

"A grande exposição dos 250 anos do terramoto de 1755 que em finais de 2004 a Câmara Municipal de Lisboa anunciara para Setembro já não poderá ser feita nessa data, por atrasos no desenvolvimento dos projectos, que estão ainda por contratualizar, soube o Público junto de pessoas envolvidas no evento."


Perante aquilo que está em risco de não se realizar, não sabemos se nos alegrar ou entristecer:
"Uma das ideias previstas para a exposição era a de fazer o público sentir um sismo, fazendo com que o chão do local da exposição lhe tremesse debaixo dos pés - além de ser confrontado com imagens virtuais do incêndio que se seguiu e destruiu boa parte do património da cidade - e ainda experimentar sensações idênticas às suscitadas pelo maremoto, que varreu centenas de metros da zona ribeirinha."

Nem tudo o que é interactivo é interessante e por vezes tem tendência para se tornar mesmo um pouco infantil. A ideia parece um pouco feirática. Estará a Câmara obcecada, nesta fase pré- eleitoral, em encontrar sucedâneos à Feira Popular?

Aquisições

"Museu de Arte Antiga reorganiza colecção de pintura europeia em 2006". Lucília Canelas.
Público. 2005/07/27.

Compare-se as obras participantes no leilão da colecção Champalimaud na Christie's com as aquisições recentes do Instituto Português de Museus para o Museu Nacional de Arte Antiga, festivamente apresentadas pela sua Directora, Dalila Rodrigues: "um quadro de Mattia Preti ( S. Paulo de Tebas, 1675), um conjunto de jóias dos séculos XVIII e XIX e três esculturas (Santíssima Trindade, século XV, D. Duarte Rei de Portugal, século XVII e Virgem Imaculada, século XVIII- XIX)".

Nós também recusámos!

"João Maria Gusmão e Pedro Paiva também recusaram participar no BesPhoto". Vanessa Rato.
Público. 2005/07/28.

"Quando falámos com o júri, o prémio apresentava-se com um conjunto de nomeados, que, para além de nós e outros dois artistas, incluía Paulo Nozolino. Tendo acompanhado a anterior edição e a premiação de Helena Almeida, decidimos recusar pelas mesmas razões pelas quais viemos a saber mais tarde, Nozolino tinha recusado."

Parece-nos demais, será que a maré de recusas tem justamente a ver com o facto de os programadores não fazerem parte do júri? Para quê então concorrer, pode-se questionar... Será que estes podem desistir da recusa, agora que o Nozolino não está lá?

Sobreposição de interesses

"Prémio Bes Photo com quatro candidatos mas sem Nozolino". Vanessa Rato.
Público. 2005/07/27.

Começa a reparar-se na existência de conflito de interesses no meio artístico português, como se verifica no artigo de Vanessa Rato.

"[...] Delfim Sardo, director do Centro de Exposições do CCB, Alexandra Pinho [também familiar do Ministro da Economia - ver análise e recortes sobre a presença portuguesa na Bienal de Veneza- nota do O.C.A.), responsável pela colecção de fotografia do BES, e João Fernandes, director do Museu de Serralves, deixaram de fazer parte do júri, depois de se terem levantado questões de sobreposição de interesses [...] " na edição anterior do prémio que premiou Helena Almeida.

Quem não está mesmo nada interessado é Paulo Nozolino, que recusou a inclusão na shortlist do prémio de 2006:
"Da maneira como me foi apresentado, parecia que o prémio já era meu. Achei injusto. Parece-me que não pode haver um concurso em que há pessoas com 30 anos de carreira e outros muito mais jovens. Pensei na Helena Almeida- pareceu-me óbvio de mais. Achei que, ao retirar-me, ia obrigá-los a substituir-me. Agora acho que vai haver um concurso a sério."

Nozolino: Os outros concorrentes deveriam agradecer, reconhecidos. Sugerimos que, como na lotaria e nos prémios dos detergentes, passe a fazer-se acompanhar o júri dos prémios artísticos de um sóbrio representante do Governo Civil.

Obrigatório

MoMa, Arte na Rua 53. O Museum of Modern Art é paragem obrigatória em Nova Iorque.Nuno Carvalho.
Diário de Notícias. 2005/07/26.

Comentário:

O turismo cultural e artístico é parte da "cultura do betão" e faz-se de grandes obras e remodelações, logo substituídas por outras mais recentes. Quem se lembra do Guggenheim de Bilbao, onde há bem poucos anos se deslocavam em procissão reverente os adeptos portugueses de arte contemporânea.

Como diz um título deste artigo como elogio ["um museu em constante mutação"] o MoMa percebe este mecanismo e está em constante remodelação. Ao longo das últimas décadas sucederam-se as iniciativas, ao mesmo tempo ligadas a processos de especulação imobiliária (as caríssimas Museum Towers). É verdade, como diz este artigo, que o ele possui uma 'colecção mítica', mas ela é dificilmente visível nas fases de obras e também de reabertura do Museu, quando a circulação é entupida por uma multidão desejosa sobretudo de ver o próprio Museu . O conceito de arte pela arte foi substituída pelo de Museu pelo Museu, Museum as a Muse, o título de uma obra
recente. A mentalidade Expo ou European Championship, o desejo do"evento", triunfa também nos domínios da cultura.

O que acaba por ser excelente para os verdadeiros observadores de museus visto que, enquanto a turba se concentra nos locais mediaticos, os museus esquecidos estão aptos a serem visitados descontraidamente ou mesmo estudados.Deixe-se a nova geração de funcionários museológicos esgrimir entre si estatísticas de número de visitantes.

A arte dos forcados

Vila- Franca- Monumento ao forcado dá polémica em Vila Franca. Jorge Talixa.
Público. 2005/07/24.


"O projecto de instalação de um monumento de homenagem aos forcados no espaço situado entre Praça de Toiros Palha Branco e o parque urbano de Vila Franca de Xira está envolto em polémica. A escultura escolhida pelo júri do concurso organizado pela Câmara local não agradou ao Grupo de Forcados vila-franquense, que não se identificaram com a imagem estilizada criada pelo autor.[...] Maria da Luz Rosinha (PS), presidente da edilidade vila-franquense, explicou, na última reunião da autarquia, que o júri do concurso promovido para escolher a escultura seleccionou um trabalho de Manuel Patinha, artista plástico já com várias obras colocadas no concelho. O trabalho representava uma pega de forma estilizada e motivou uma assembleia do Grupo de Forcados, em que participou o edil e foi manifestada a preocupação dos forcados que 'não se sentiam representados naquele trabalho'.

Admitindo que esta era uma situação 'incómoda' e 'delicada', tendo também em conta que a câmara convidara algumas personalidades para o júri que poderiam ficar 'melindradas' e que não faria muito sentido homenagear os forcados com uma obras em que estes não se revêem [...] A autarca socialista acrescentou que, depois de vários contactos com as partes envolvidas, conseguiu um consenso no sentido de que a escultura seleccionada venha a integrar uma triologia a colocar noutro local e que a câmara venha a contactar o escultor José Franco de Sousa, indicado pelo Grupo de Forcados, que já tem desenvolvido obras desta natureza, para fazer o monumento previsto para a zona da praça de touros. Alves Machado, vereador da CDU, observou que o processo não terá sido tramitado da melhor forma e que esta conciliação de vontades com o grupo poderia ter surgido logo no início."


Comentário:

Uma boa lição sobre arte pública para a edil, que correu o risco de ser trucidada entre as "partes envolvidas" na obra: o artista que tem várias obras no concelho, o outro artista que "tem desenvolvido obras desta natureza", o júri melindrado, os forcados que não se revêem, a CDU. Do ponto de vista diplomático parece ter-se saído airosamente após tantas reuniões, do ponto de vista artístico são más notícias para Vila Franca de Xira: Vai ter no largo da Praça de Touros um projecto que o júri não escolheu e a obra que o júri escolheu vai ser instalada num contexto diferente daquele para o qual foi escolhida.

Uma das exposições do ano

Ainda sobre exposição na Fundação de Serralves. Oscar Faria.
Público. 2005/07/23.


"O confronto com a obra do alemão Thomas Schütte ( 1954, Oldenburg, Alemanha) provoca uma constante sensação de estranheza; esta é sobretudo provocada pelo confronto entre o mundo particular do artista e a amplitude das questões colocadas pelos seus trabalhos. No Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, esta situação é confirmada numa das exposições do ano [...]".

É sempre possível

"Jardins de Verão - Cenografias efémeras para estar e passear, entre a casa e a Natureza". Sobre acontecimento na Fábrica da Pólvora, em Oeiras. Ana Ruivo.
Expresso. 2005/07/23.


Táctica pouco habitual. A articulista dirige-se ao leitor em discurso directo:

"Se ao entrar no edifício lhe ocorrer de súbito a música "era uma casa muito engraçada, não tinha tecto não tinha nada", apure os sentidos, veja o que descobre. Porque duma música, tal como da voz ou dum pedaço de borracha, é sempre possível cultivar um (outro) jardim."

Pessoais

Sobre exposição de Ana Cardoso. Galeria VPF Cream Arte.
Autor?.
Expresso. 2005/07/23.


Sem comentários.

"[...]As cores continuam a ser muito pessoais [...]".

A importância de Serralves

Textos sobre exposições de Thomas Schütte, Ernst Caramelle.
Sem Comentários (é o título de uma exposição mas também é uma expressão familiar neste Blog) e também os Jardins de Serralves.
Público. 2005/07/22.

O Museu de Serralves tem na cultura visual portuguesa e particularmente neste Público, porventura, um peso excessivo.
Desta vez tal deve-se a um suplemento publicitário Especial da Fundação de Serralves, cujo estatuto publicitário desconhecemos, mas que é parcialmente subsidiado pela Sonae (também proprietária do Público), inserido no jornal e que contem três dos quatro artigos sobre Serralves referenciados nesta edição.

Curiosamente dois textos de divulgação relativos a exposições, supõe-se que da responsabilidade do Gabinete de Imprensa de Serralves começam da mesma forma: "Pela primeira vez é apresentada em Portugal... ". Expressão ambígua porque ficamos sem saber porque motivo não terão sido anteriormente apresentadas em Portugal: Porque não valeria a pena? Porque ninguém se terá lembrado? O livro de estilo dos colaboradores de imprensa do Museu têm neste aspecto um certo carácter circense. Poder-se à pensar que se trata de destacar o vanguardismo, pioneirismo e espírito de estreia. Mesmo estes são um pouco descabidos numa instituição que deveria ser o vértice de uma pirâmide. Um erro de "casting" que nos vem lembrar que para baixo não existe quase nada em Portugal onde as experiências possam ser feitas antes da consagração institucional.

O quarto artigo neste jornal é de Oscar Faria. sobre Ernst Caramelle, artista austríaco, que também é objecto de um dos textos "oficiais". Oscar Faria, que está sempre tão bem informado acerca do que acontece no Porto, parece ser anormalmente vago e genérico na sua apreciação da "operação Caramelle", levada a cabo pelo Museu [ alegadamente pelo seu omnipresente Vice-Director - nota do O.C.A.], remetendo finalmente a sua apreciação para as citações do comissário da exposição ( o que em geral se faz talvez demais).

Segundo o texto "oficial" do suplemento Especial, esta operação envolve a doação e aquisição de obras por parte deste artista austríaco. Como sabem os que estão familiares ao funcionamento dos museus, estas operações de doação-aquisição são contratos deveras complexos, pelo que se justificaria um tratamento jornalístico adequado (que O.F .nem sequer ensaia).

O regresso da pintura temática

"Sobre exposição na Galeria de Arte Arco-16 de Faro".
Diário de Notícias. 21/07/2005.

"Esta patente, até sábado, a exposição colectiva de pintura
'Masturbação'. [...] telas que representam diversas cenas de
masturbação."

Circuito Vicioso

"Universos femininos". Sobre a exposição "Universos
Femininos" na Galeria Correntes d'Arte". Maria João Fernandes


A autora continua encantada perante as exposições que ela própria
organiza. Maria Zambrano não tem culpa.

Nada de novo

"Primavera, primaveras". Sobre o Salão da Primavera no Casino Estoril". Rocha de Sousa
Jornal de Letras Artes e Ideias. 2005/07/20


Comentário:

Pode dizer-se que no JL nada de novo.
Rocha de Sousa alegra-se com uma exposição no Casino Estoril, o Salão da Primavera "que envolveu um júri consistente, uma coordenação de base nas Faculdades de Belas Artes de Lisboa e do Porto, e foi um dos mais conseguidos de sempre". Assinale-se a subtileza do discurso do articulista: O facto de ser dos mais conseguidos de sempre não quer dizer que tenha sido... conseguido."

Por outro lado destaca-se o estranho intercâmbio entre escolas e os júris das galerias das grandes empresas. Não tarda iremos ver o Sr. Stanley Ho a dar aulas de Geometria Descritiva nas Belas Artes de Lisboa. Mais saborosa e literariamente sugestiva é sempre a narrativa de Rocha da Sousa sobre o passado, fragmentos preciosos do mundo artístico nos anos sessenta.

Muito mais inspirada que a descrição de Alexandre Pomar, conceitos vagos e criadores de uma pseudo- história. (Um centro periférico, Memórias de Cutileiro, Bravo, Lapa e Palolo em Lagos, Expresso, 2005/07/23):

"Se os anos 60 foram por toda a parte um tempo de transformações e rupturas artísticas, cortando com algumas tradições modernas e com memória das guerras da primeira metade do século, Lagos foi um dos seus pólos portugueses. Parte decisiva da arte nacional fazia-se na emigração e outra, em paralelo, com os efeitos duma circulação exterior muito mais intensa, em grande parte permitida pelas bolsas da Gulbenkian. Entretanto, alguns artistas fixavam-se no Algarve, sem deixarem de disputar a presença pública nas exposições de Lisboa e sem interromperem uma intensa busca de informação internacional."

Fronteiras e questionamentos

"A paisagem, essa abstracção". Sobre exposição de Márcia Xavier na Galeria 111. Luisa Soares de Oliveira.
Público. 2005/07/16.

Sem comentários.

"Assim, embora se trate genericamente de fotografia, a obra de Márcia Xavier talvez não esteja assim tão longe das técnicas clássicas e isto em termos de conceito. O território que lhe pertence é o da fronteira, dos limites, da linha de costa, bem longe do lugar do fotógrafo que apenas dispara a máquina para gravar o que ela, a máquina, vê."


"The Show must go on". Oscar Faria.
Público. 2005/07/16.

Sem comentários.

Subtítulo: "A exposição Aranha, de André Sousa, no Laboratório das Artes em Guimarães, constitui um questionamento acerca dos modos de realização e recepção da obra de arte."

Diplomatas e artistas

"Paula Rego no Museu Rainha Sofia em 2007." J. Mateus.
Público. 2005/07/17.

Comentário.

Este revelador artigo fornece dados importantes acerca dos bastidores de uma instituição de arte contemporânea de primeiro nível em Espanha, como é o Museu Rainha Sofia, e as pouco subtis inteligações entre a arte e a política.

        1. A exposição foi combinada entre o estado português e o Museu. As negociações pela parte do estado português foram desenvolvidas pelo adido cultural em Madrid João Melo. Este propôs três hipóteses de exposição, tendo o Museu optado por Paula Rego. "Ainda tenho esperança de conseguir pôr o Júlio Pomar no Rainha Sofia", refere.

        2. A artista foi contactada pelo Museu e foi ela que designou o comissário Marco Livingstone, que sobre ela escrevera num catálogo para exposição no Museu de Serralves, " uma das razões pelas quais a sua obra mantém toda a sua força é o facto de ela há muito ter deixado de se preocupar com o que as pessoas pensam".

        3. O adido cultural e escritor diz que Paula Rego é "essencialmente conhecida em Portugal e Inglaterra", e por isso será uma boa oportunidade para começar a ser conhecida na Europa.

É falado o papel de Pier Paul Rubens como diplomata, para além de artista. Fica patente também até que ponto os artistas dependem também dos diplomatas para a sua afirmação internacional. Entramos também um pouco nas ante-câmara onde se estabelece a programação dos museus.

BES Reveleção

"BES Revelação distingue quatro artistas". Subtítulo: A primeira edição do prémio foi ganha por João Seguro, Ramiro Guerreiro, Carlos Lobo e Sylvie Rouquet. Óscar Faria.
Público. 2005/07/12.


"A decisão relativa aos premiados foi tomada no passado dia 29 de Junho, quando um júri presidido por João Fernandes, director do Museu de Arte Contemporânea de Serralves (MACS), no Porto, e composto por Ute Eskildsen, directora do departamento de fotografia do Museu Folkwang (Essen, Alemanha), Núria Enguita, directora da Fundação Tápies ( Barcelona, Espanha), Jürgen Bock, curador independente e director da escola de artes visuais Maumaus, Lisboa, e Ricardo Nicolau, crítico de arte, decidiu, por unanimidade - com excepção da abstenção de Jürgen Bock no caso do projecto proposto por Ramiro Guerreiro - atribuir as quatro bolsas de produção artística. [...]"

Comentário:

Pressupõe-se que a abstenção de um dos membros do Júri possa ter a ver com o facto de ser director de uma escola de fotografia e o premiado ser oriundo dessa mesma instituição.
Tal não invalida que seja polémica esta forma de constituição de júris em Portugal. As questões éticas envolvidas, chamaram a atenção e foram já ebatidas acerca de prémios de fotografia recentes, cujas repercussões são abordadas noutras notícias comentadas nesta mesma data. A simples presença de uma pessoa no júri que esteja ligada por relações de interesse a alguns dos candidatos, afecta a apreciação do júri globalmente considerado, mesmo que não seja exercido o direito de voto. Será possível uma independência subjectiva sem que exista uma independência objectiva, ou seja, inexistência de laços anteriores com as obras objecto de avaliação? As circunstâncias nas quais os juízes podem ser e são muitas vezes afastados dos processos judiciais pode constituir um paralelismo.
Só que nas artes, em geral, pressupõe-se que não existem interesses, embora por vezes existam e sejam económicos.
Um argumento também utilizado no sentido de justificar tais sobreposições de interesses reside em o meio ser de tal forma pequeno que, se quisermos evitar a sobreposição de interesses, ficaremos sem ninguém. Este pode no entanto também ser um argumento no sentido de se restringir o poder de decisão a um número exageradamente pequeno, evitando a diversificação.

Projecção internacional

"A mágica dos espaços e o jogo de paisagens." Sobre exposição na Galeria Municipal Artur Bual da Amadora. Maria Augusta Silva.
Diário de Notícias. 2005/07/12.


"[...] A exposição de Edgardo Xavier e Mário Vinte e Um, "nomes de
projecção internacional", pode ser visitada [...]."


Comentário:

Mais uma vez se assinala que são o "nomes" e não as obras, tais como
marcas, que normalmente se considera serem de projecção internacional.
Existe, a vários níveis, uma espécie de empresarialização do artista, como
referimos a propósito de outras notícias (ver refer|encias à "Marca Portugal" a propósito da Bienal de Veneza) . Artigos oriundos de sectores jornalisticos diversos, como Oscar Faria, falam também do nome de Thomas Schütte.
É por outro lado curiosa a expressão "projecção", que lembra o lançamento veloz de algum objecto contundente, contrastando sobremaneira com o imobilismo do nosso meio artístico.

Pouco divulgado

Fotografia- "Portugueses finalistas de prémio europeu."
Jornal de Notícias. 2005/07/10.

"Ao vencerem a competição nacional promovida pela Fnac, João Magalhães e Virgilio Ferreira não só obtiveram o reconhecimento alheio pelo trabalho desenvolvido como asseguraram o direito de integrar o lote de nove finalistas candidatos ao Prémio Europeu de Fotografia da Fnac."


Pergunta: Esta "projecção internacional" dos dois fotógrafos terá sido
divulgada pelo Público e o Expresso?

Vizinhança substitui estilo

"Nos limites da imagem fotográfica." Margarida Medeiros.
Público. 2005/07/09.

Sem comentários (excepto o título).

"Uma das primeiras inaugurações do coerente e selectivo programa do LisboaPhoto ocorreu no Museu de Arte Antiga. Os autores aqui mostrados, não podendo ser subsumidos por nenhum rótulo que os arrume numa gaveta estilística, estabelecem no entanto uma vizinhança interessante: Vitor Pomar (este último não está já patente em Lisboa, mas em Faro), José Luis Neto e o americano Aaron Siskind."

Católico

"As mãos são um templo"- Entrevista a Guido della
Grazia. A propósito de uma exposição na Igreja de Santa
Isabel. Laurinda Alves.
Público, Xis. 2005/07/09.

Sem comentários.

[...]
É católico?
- Sou.
[...]

Espectador

"Pires Vieira dialoga com a arte em Coimbra." Maria João Lopes.
Público. 2005/07/09.

Sem comentários.

"Quatro monitores vão mostrando o percurso dos visitantes a um museu e quatro megafones vão reproduzindo, em simultâneo, dois discursos. No primeiro caso, o artista filmou toda a sala do museu com quatro câmaras, colocadas no chão: 'Esperámos que as pessoas fossem passando e registámos essa passagem. Registámos as pessoas e o mínimo possível as obras.', diz Vieira, acrescentando que o mesmo espectador passa pelos quatro monitores: 'A recepção é uma área que me interessa'.